A fase inicial da soja concentra a atenção do produtor em pragas já conhecidas. No entanto, alguns insetos permanecem praticamente invisíveis durante o ataque. É o caso da mosca-das-raízes, cujas larvas se desenvolvem no solo e atacam sementes, A fase inicial da soja concentra a atenção do produtor em pragas já conhecidas. No entanto, alguns insetos permanecem praticamente invisíveis durante o ataque. É o caso da mosca-das-raízes, cujas larvas se desenvolvem no solo e atacam sementes, raízes e tecidos de plântulas.
A alimentação da praga durante a germinação ocasiona perdas logo nos primeiros dias da cultura, quando sementes e tecidos jovens ainda estão em desenvolvimento e são bastante vulneráveis. Esses danos podem comprometer o estande e o estabelecimento das plantas.
Neste conteúdo, você vai conhecer as características da mosca-da-raiz, os sintomas da infestação, os fatores que favorecem sua ocorrência e as abordagens indicadas para o monitoramento e o manejo. Também preparamos uma infografia para facilitar a identificação da praga no campo.
O que é a mosca-da-raiz?
A mosca-das-raízes é um inseto da ordem Diptera, o mesmo grupo das moscas. Ela recebe esse nome porque suas larvas se desenvolvem abaixo da superfície do solo e atacam sementes, raízes, cotilédones e a base da haste de plantas jovens.
Os principais danos econômicos ocorrem na fase larval. Após a eclosão dos ovos, as larvas se alimentam das plantas hospedeiras, enquanto os adultos são responsáveis pela reprodução e a postura dos ovos, que ocorre no solo ou próximo à base das plantas.
Espécies do gênero Delia são conhecidas por causar prejuízos em diferentes culturas agrícolas, especialmente hortaliças. No Brasil, D. sanctijacobi já foi registrada, causando danos em culturas como feijão, cebola, alho e brássicas.
Na soja, porém, os primeiros registros da espécie Delia sanctijacobi aconteceram durante a safra 2025/2026 em lavouras comerciais no Rio Grande do Sul.
A confirmação foi feita a partir de análises morfológicas e moleculares, após a observação de danos em áreas de Saldanha Marinho e Cruz Alta, onde a redução do estande alcançou cerca de 30% em áreas avaliadas .
Durante as avaliações, os pesquisadores também encontraram sintomas compatíveis com a presença da praga em Passo Fundo e Carazinho.
Nas áreas afetadas, a soja sucedeu cultivos de aveia-preta e ervilhaca. Essa informação integra as investigações sobre os fatores associados à ocorrência da praga na cultura.
Como identificar a mosca-da-raiz na soja?
O adulto é uma mosca pequena, de coloração acinzentada a escura e aparência discreta. Após o acasalamento, as fêmeas depositam os ovos próximos às plantas ou diretamente no solo, onde as larvas encontram condições favoráveis para iniciar a alimentação logo após a eclosão. A identificação da espécie pode exigir a avaliação de características morfológicas específicas e, em casos de dúvida, a confirmação molecular, devido à semelhança entre espécies do gênero Delia.
As larvas são brancas, sem pernas e com formato alongado, características comuns às espécies do gênero Delia. Elas permanecem próximas às sementes e às plântulas de soja, alimentando-se de cotilédones e causando danos às raízes e à haste das plantas jovens.
As larvas também podem perfurar a base da haste e formar galerias que afetam o desenvolvimento das plantas, especialmente em situações de maior intensidade de ataque.
A suspeita de infestação aumenta quando a lavoura apresenta falhas de estande, plantas com desenvolvimento reduzido ou sintomas associados a danos nas raízes e na base da haste. Nesses casos, recomenda-se arrancar cuidadosamente algumas plantas de soja e remover o solo ao redor das raízes para verificar a presença de larvas e os danos nas estruturas subterrâneas.
Quais danos a mosca-da-raiz causa na soja?
O ataque da mosca-da-raiz pode começar antes mesmo de os sintomas ficarem visíveis na parte aérea da planta. Como as larvas permanecem abaixo da superfície do solo, os danos se concentram nas estruturas associadas ao estabelecimento inicial da cultura, como raízes, cotilédones e base da haste.
Quando os sintomas aparecem, parte do potencial produtivo da área já pode ter sido comprometida.
Os principais danos são:
- Ataque aos cotilédones durante a emergência da soja, com redução das reservas necessárias ao desenvolvimento inicial;
- Danos ao sistema radicular, que limitam a absorção de água e nutrientes;
- Perfuração da base da haste, com abertura de galerias pelas larvas;
- Redução de estande, em razão da morte ou do enfraquecimento das plântulas;
- Redução do vigor das plantas, com crescimento limitado.
Quais fatores favorecem a ocorrência da mosca-da-raiz?
As informações sobre a mosca-da-raiz na soja ainda estão em construção. Como o primeiro registro da espécie na cultura é recente, parte das informações disponíveis sobre a biologia e o manejo da espécie vem de estudos realizados em outras culturas e de conhecimentos sobre espécies do gênero Delia.
Ainda assim, alguns fatores já são considerados importantes para a ocorrência da praga:
1. Clima frio e solo úmido
A Delia sanctijacobi ocorre com maior frequência em regiões de clima mais ameno da América do Sul, como Argentina, Chile, Uruguai, Peru e o Sul do Brasil.
A ocorrência de espécies do gênero Delia está associada a condições ambientais que influenciam o desenvolvimento e a sobrevivência dos diferentes estágios do inseto. Para D. sanctijacobi na soja, porém, ainda são necessários estudos específicos para determinar quais condições de temperatura e umidade favorecem a infestação e o desenvolvimento da praga.
2. Histórico de culturas hospedeiras
A espécie apresenta hábitos polífagos e consegue completar seu ciclo em diferentes culturas. No Brasil, antes do registro na soja, sua ocorrência já havia sido relatada em brócolis, feijão, cebola e tomate. Em outros países, também existem registros da espécie em diferentes culturas agrícolas.
3. Restos culturais e sucessão de culturas
Em espécies do gênero Delia, a presença de matéria orgânica vegetal em decomposição pode influenciar a oviposição e a ocorrência das larvas. Para D. sanctijacobi na soja, entretanto, ainda não está estabelecido em que medida a dessecação de plantas de cobertura antes da semeadura influencia o risco de infestação.
A relação entre o momento da dessecação das plantas de cobertura, a presença de material vegetal em decomposição e a ocorrência da mosca-da-raiz merece investigação específica nas condições de cultivo da soja. Embora essa relação seja descrita para espécies do gênero Delia, ainda não há evidências suficientes para afirmar que a dessecação próxima à semeadura aumenta o risco de infestação por D. sanctijacobi na cultura.
4. Implantação da lavoura
As larvas atacam a cultura durante a germinação e a emergência. Sementes de alto vigor, boa qualidade de semeadura e condições favoráveis à emergência contribuem para o rápido estabelecimento da cultura.
Em situações de ataque por pragas de solo, uma emergência uniforme e rápida pode reduzir o período em que as plântulas permanecem vulneráveis. Embora essa lógica seja agronomicamente plausível, a mensuração exata desses impactos na cultura da soja ainda depende de maior respaldo científico.
Como monitorar a mosca-da-raiz?
O monitoramento deve começar antes mesmo da emergência da soja, principalmente em áreas com histórico de falhas de estande ou ocorrência de pragas subterrâneas.
Durante a emergência, as inspeções devem ser intensificadas, principalmente em áreas onde forem observadas falhas de estande ou plantas com sintomas compatíveis.
Durante a emergência, as inspeções devem ser intensificadas, principalmente em áreas onde forem observadas falhas de estande ou plantas com sintomas compatíveis. Como a maior parte do ciclo da mosca-da-raiz ocorre abaixo da superfície, o acompanhamento frequente da lavoura é essencial para detectar os primeiros focos de infestação.
Também é importante registrar os locais onde os sintomas aparecem. O mapeamento das reboleiras, da intensidade das falhas de estande e da evolução dos danos fornece informações importantes para direcionar as ações de manejo e apoiar o planejamento das próximas safras.
Como controlar a mosca-da-raiz?
O controle da mosca-da-raiz requer planejamento e a avaliação de diferentes abordagens, desde a implantação da lavoura até o acompanhamento das áreas com maior risco de infestação.
Manejo Integrado de Pragas
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) pode contribuir para orientar o manejo da mosca-da-raiz e a tomada de decisão durante a safra. O primeiro passo é acompanhar a lavoura desde a emergência, sobretudo em áreas com histórico de pragas subterrâneas.
Ao identificar os sintomas, é recomendado inspecionar as plântulas e o sistema radicular para confirmar a presença das larvas. Essas informações servem para avaliar a distribuição da infestação e planejar as próximas ações.
O MIP também contempla práticas culturais, como o planejamento da sucessão de culturas e o intervalo adequado entre a dessecação da cobertura vegetal e a semeadura.
Outro princípio do manejo integrado é a conservação dos inimigos naturais presentes no solo. Agentes de controle biológico, incluindo nematoides entomopatogênicos, vêm sendo estudados como ferramentas de controle biológico para insetos de hábito subterrâneo na soja.
Para preservar esses organismos, as aplicações de inseticidas devem ser sempre baseadas no monitoramento e em critérios técnicos.
Tratamento de sementes
Sementes de alto vigor e o plantio realizado na profundidade e na umidade adequadas favorecem uma emergência mais rápida, reduzindo o período em que a soja fica mais suscetível ao ataque.
O tratamento de sementes com inseticidas registrados para a cultura pode fazer parte das estratégias utilizadas no manejo de pragas iniciais da soja. No caso de D. sanctijacobi, porém, ainda não há produtos especificamente registrados para seu controle na soja.

Controle químico
O controle químico da mosca-da-raiz ainda é um desafio porque as larvas ficam protegidas da ação de aplicações foliares, o que limita a eficiência das aplicações realizadas após o aparecimento dos sintomas.
Até o momento, não existem inseticidas registrados especificamente para o controle de Delia sanctijacobi na soja.
Estudos indicam que ingredientes ativos utilizados no manejo de outras pragas iniciais da soja, como neonicotinoides, piretroides, carbamatos e organofosforados, podem ter efeito também sobre as espécies do gênero Delia. No entanto, a eficácia desses grupos no controle de D. sanctijacobi em soja ainda precisa ser avaliada experimentalmente.
Para aumentar as chances de proteger a lavoura durante o estabelecimento da cultura, o controle químico deve integrar um programa de manejo que combine monitoramento, tratamento de sementes, práticas culturais e uso criterioso dos produtos registrados para a soja.
Principais erros no manejo da mosca-da-raiz
Os maiores prejuízos da mosca-das-raízes estão relacionados à dificuldade de perceber a infestação nos primeiros dias da cultura. Algumas práticas aumentam o risco.
- Ignorar o histórico da área e deixar de monitorar locais com ocorrência de pragas subterrâneas ou falhas de estande registradas em safras anteriores;
- Desconsiderar as estratégias de proteção da fase inicial da cultura, sem avaliar as alternativas registradas e tecnicamente recomendadas para as condições da área;
- Esperar o surgimento de grandes falhas de estande para iniciar o manejo, quando parte dos danos já ocorreu;
- Concentrar o controle somente nas pulverizações e deixar de adotar práticas culturais e monitoramento da lavoura;
- Não registrar as áreas afetadas, o que dificulta o planejamento das ações para as próximas safras.
Conte com a Alta para fortalecer o manejo da soja
Cada área apresenta um histórico, um nível de infestação e desafios diferentes. Por isso, o controle da mosca-das-raízes requer tecnologias que atendam às necessidades da lavoura e suporte técnico para definir a melhor abordagem.
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Perguntas frequentes sobre a mosca-da-raiz
Ainda restam dúvidas sobre a mosca-da-raiz? Confira as respostas para as perguntas mais frequentes sobre identificação, danos e manejo dessa praga da soja:
O que é a mosca-da-raiz?
A mosca-da-raiz é um inseto da ordem Diptera, cujas larvas atacam sementes, raízes, cotilédones e plântulas de soja. Os maiores prejuízos ocorrem durante o estabelecimento da cultura, quando o ataque compromete o estande e o desenvolvimento inicial da lavoura.
Como identificar a mosca-da-raiz na soja?
Os principais indícios são falhas de estande, plantas com desenvolvimento comprometido e danos nas raízes, cotilédones ou na base da haste. Para confirmar a infestação, recomenda-se inspecionar as plântulas de soja e remover cuidadosamente o solo ao redor das raízes em busca de larvas brancas, alongadas e sem pernas.
Quais danos essa praga causa às plântulas?
As larvas podem atacar os cotilédones, danificar o sistema radicular e perfurar a base da haste. Esses danos podem comprometer o estabelecimento da cultura, reduzir o vigor das plantas e causar falhas de estande.
Como controlar a mosca-da-raiz?
Como ainda não existem inseticidas registrados especificamente para Delia sanctijacobi na soja, o controle envolve a integração de diferentes estratégias, como monitoramento da lavoura, sementes de qualidade, práticas culturais e uso criterioso dos produtos registrados para a cultura.
O manejo integrado ajuda a reduzir novas infestações?
Sim. O manejo integrado reúne práticas que auxiliam na redução da população da praga ao longo do tempo, como o monitoramento, o manejo da cobertura vegetal, a preservação de organismos benéficos presentes no solo e o acompanhamento do histórico das áreas cultivadas. Como a ocorrência de D. sanctijacobi em soja é recente no Brasil, estratégias específicas para a cultura ainda estão sendo estudadas.
Como evitar falhas de estande causadas pela mosca-da-raiz?
A prevenção começa antes da semeadura, com o monitoramento das áreas de risco e a adoção de boas práticas de implantação da lavoura. O uso de sementes de alto vigor, a semeadura em condições adequadas e o acompanhamento da emergência ajudam a favorecer o estabelecimento uniforme da cultura. Em áreas de maior atenção, essas medidas devem ser associadas ao monitoramento e à avaliação técnica das opções de manejo disponíveis.
Conteúdo revisado pela validadora técnica: Larissa Guzzo Teixeira, Analista de P&D e Mercado na Alta Defensivos.
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