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Doenças dos citros: principais ameaças e como fazer o manejo

Quem conduz um pomar cítrico sabe que a sanidade das plantas exige atenção contínua, já que diferentes doenças dos citros podem comprometer a produtividade, a qualidade dos frutos e a vida útil das árvores.  

Entre essas doenças, o greening ocupa uma posição de destaque pela relevância que assumiu na citricultura brasileira. Também chamado de HLB ou huanglongbing, ele está entre os maiores desafios fitossanitários do setor.  

Esse cenário reforça a importância da identificação correta e do monitoramento frequente do pomar, pois cada doença apresenta formas específicas de disseminação. 

No caso do greening, o manejo também exige atenção ao Psilídeo (Diaphorina citri), vetor das bactérias associadas à doença. Entender essa relação é essencial para acompanhar o HLB com mais precisão. 

Quais são as principais doenças que afetam os citros?

Os pomares cítricos estão sujeitos a diferentes problemas fitossanitários, cada um com sintomas, agentes causais e formas de disseminação próprias. Greening, Cancro Cítrico, Leprose e Pinta Preta, por exemplo, exigem atenção constante no manejo da cultura.

Conhecer essas diferenças orienta o monitoramento e contribui para decisões de manejo mais adequadas a cada situação.

DoençaAgente causalPrincipais sintomasDisseminação e manejo
Greening ou HLBBactérias Candidatus Liberibacter.Mosqueamento irregular das folhas, frutos deformados e queda prematura, seca progressiva dos ramos afetados, queda de folhas e definhamento geral da planta Monitoramento, eliminação de plantas doentes e controle do Psilídeo.
Cancro cítricoXanthomonas citri subsp. citri.Lesões elevadas em folhas, ramos e frutos.Redução da disseminação e manejo das fontes de infecção.
Leprose dos citrosCilevirus leprosis – CiLV-CLesões em folhas, ramos e frutos.Monitoramento e controle do ácaro vetor (Brevipalpus yothersi)

Greening ou HLB

O greening, também chamado de HLB ou huanglongbing, está entre os maiores desafios fitossanitários da citricultura brasileira. No país, a doença está associada às bactérias Candidatus Liberibacter asiaticus (CLas) e Candidatus Liberibacter americanus (CLam).  

Os sintomas incluem amarelecimento de ramos, mosqueamento irregular das folhas e frutos pequenos, deformados ou com maturação irregular. Em plantas jovens, o quadro pode impedir a produção, enquanto árvores adultas sofrem queda prematura de frutos e redução progressiva da vida produtiva. 

Cancro cítrico

O cancro cítrico é uma doença bacteriana causada por Xanthomonas citri subsp. citri. Os sinais mais característicos são lesões elevadas em folhas, ramos e frutos, geralmente cercadas por halo amarelado.  

Com a evolução da infecção, surgem perdas na qualidade comercial dos frutos e aumento da queda prematura. A identificação dos sintomas orienta as medidas de manejo mais adequadas para cada área. 

Leprose dos citros

A leprose dos citros está associada a vírus transmitidos por ácaros do gênero Brevipalpus. Os sintomas incluem lesões em folhas, ramos e frutos, além de desfolha, seca de ramos e queda prematura. 

O manejo envolve monitoramento e controle do ácaro vetor. A presença deste vetor diferencia a leprose de outras doenças dos citros e exige atenção específica durante o monitoramento.

Outras doenças importantes

A ocorrência de outras doenças varia conforme a região, a variedade cultivada e as condições do pomar. Algumas merecem atenção durante o monitoramento: 

  • Pinta preta: manchas na casca e queda prematura dos frutos;
  • Clorose variegada dos citros: redução do tamanho dos frutos e alterações no desenvolvimento das plantas;
  • Podridão floral: lesões em flores e queda de frutos jovens.

Por que o greening merece atenção especial na citricultura?

A presença do greening continua elevada nas principais regiões produtoras. Em 2026, o Fundecitrus estimou 48,08% de incidência nas laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro, índice que mantém o HLB entre os maiores desafios fitossanitários da citricultura brasileira.  

A doença compromete produtividade, qualidade dos frutos e longevidade do pomar, com reflexos na sustentabilidade do sistema produtivo. Segundo o Fundecitrus Digital, plantas jovens afetadas podem não chegar a produzir, enquanto árvores adultas apresentam queda prematura de frutos e declínio.

Como identificar os sintomas do greening dos citros?

Os sinais do greening aparecem em diferentes partes da planta e devem ser avaliados em conjunto. Confira:

Qual é a relação entre o Psilídeo e o Greening?

O Psilídeo Diaphorina citri atua como vetor das bactérias associadas ao greening. Durante a alimentação em uma planta infectada, o inseto adquire essas bactérias e pode transmiti-las ao se alimentar posteriormente de plantas sadias.  

A transmissão segue uma sequência simples: 

  • Aquisição: o Psilídeo se alimenta de uma planta infectada e adquire a bactéria;
  • Transmissão: em uma nova alimentação, o inseto leva a bactéria para uma planta sadia.

A atenção ao vetor aumenta nos períodos de brotação, quando ovos, ninfas e adultos aparecem com maior frequência nos tecidos jovens. As novas brotações concentram a atividade do inseto e exigem monitoramento mais próximo. 

Como identificar e monitorar o Psilídeo dos citros?

A identificação do Diaphorina citri começa pela observação das brotações novas, onde ocorre boa parte do desenvolvimento do inseto. Cada fase apresenta características que facilitam seu reconhecimento no pomar. 

  • Adultos medem cerca de 2 a 3 milímetros, apresentam coloração acinzentada, manchas escuras nas asas e mantêm o corpo inclinado durante a alimentação;
  • Ninfas têm corpo achatado, pernas curtas e coloração amarelada ou alaranjada;
  • Ovos são pequenos, amarelados e ficam concentrados nos tecidos mais jovens das brotações.

O monitoramento deve priorizar as brotações novas, com inspeção de três a cinco ramos jovens por planta para verificar a presença de ovos, ninfas e adultos. Armadilhas adesivas amarelas complementam essa avaliação ao registrar a movimentação do psilídeo no pomar. 

Sistemas regionais, como o Alerta Psilídeo, ampliam o acompanhamento ao indicar períodos e áreas com maior pressão do vetor. Essas informações orientam decisões de manejo conforme a presença do inseto no campo. 

Como evitar resistência do psilídeo a inseticidas?

Aplicações sucessivas com o mesmo modo de ação aumentam a pressão de seleção sobre a população do Psilídeo. Com o tempo, indivíduos menos sensíveis podem sobreviver e se reproduzir, reduzindo a eficiência do controle. 

Para diminuir o risco, o programa de manejo deve incluir rotação entre diferentes modos de ação. O Fundecitrus recomenda alternar inseticidas de grupos distintos e evitar aplicações sequenciais com o mesmo mecanismo.  

A escolha deve considerar o grupo de ação do inseticida, e não apenas a troca de marca comercial. Esse critério contribui para preservar a eficiência das ferramentas disponíveis no manejo de Diaphorina citri. 

Qual o papel dos inseticidas no controle do Psilídeo?

Os inseticidas são uma das ferramentas usadas para reduzir a população do Psilídeo no pomar. Sua utilização deve estar vinculada ao monitoramento do vetor e às condições observadas na área. 

O resultado do controle depende de fatores como momento de aplicação, tecnologia de aplicação e escolha adequada do produto. A rotação entre modos de ação também integra o programa de manejo, conforme abordado anteriormente. 

O controle químico atua junto às demais medidas adotadas contra o Greening. Dentro desse programa, a escolha de soluções com diferentes características e modos de ação amplia as opções para o manejo do psilídeo.

Cougar: opção da Alta para o manejo do psilídeo

A diversificação de modos de ação amplia as possibilidades dentro do programa de manejo do vetor. O Cougar, da Alta Defensivos, é um inseticida fisiológico regulador de crescimento, à base de piriproxifem, com registro para o controle de Diaphorina citri em citros. 

Sua indicação está associada ao manejo das formas jovens do inseto, conforme as orientações de uso previstas em bula. A aplicação deve seguir registro, receituário agronômico e orientação técnica, sempre integrada às demais estratégias adotadas no pomar. 

Conheça o Cougar e veja como a solução pode integrar o manejo do Psilídeo dos citros. 

Perguntas frequentes sobre doenças dos citros

Qual é a doença mais preocupante dos citros atualmente?

O Greening, também chamado de HLB ou huanglongbing, está entre os maiores desafios fitossanitários da citricultura. A doença compromete a produção, a qualidade dos frutos e a vida produtiva das plantas.

O que causa o Greening dos citros?

No Brasil, o Greening está associado principalmente às bactérias Candidatus Liberibacter asiaticus e Candidatus Liberibacter americanus. A transmissão ocorre principalmente pela ação do Psilídeo (Diaphorina citri).

O Psilídeo causa diretamente o Greening?

O Psilídeo não causa a doença diretamente. Ele atua como vetor das bactérias, adquirindo os agentes em plantas infectadas e transmitindo-os durante a alimentação em plantas sadias.

Como identificar o Psilídeo no pomar?

Adultos medem cerca de 2 a 3 milímetros e apresentam coloração acinzentada, manchas escuras nas asas e corpo inclinado durante a alimentação. Ovos e ninfas aparecem principalmente nas brotações novas.

Como reduzir o risco de Greening no pomar?

O manejo exige monitoramento frequente, identificação de plantas sintomáticas, controle do Psilídeo e uso criterioso de inseticidas dentro de um programa integrado. A rotação de modos de ação também contribui para preservar a eficiência do controle do vetor.

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