Quando as primeiras folhas aparecem raspadas, a lavoura já pode estar sob ataque em fase inicial. A lagarta-do-cartucho no milho inicia a alimentação de forma superficial e, conforme se desenvolve, passa a provocar perfurações maiores e danos no cartucho.
Nos estágios mais avançados, a praga consome maior quantidade de tecido foliar e permanece no interior do cartucho, onde fica mais protegida e mais difícil de ser atingida pelas aplicações.
A identificação tardia favorece a evolução dos danos, que podem comprometer o desenvolvimento da cultura, aumentar a necessidade de intervenções e o custo da operação.
O monitoramento ajuda a confirmar se há infestação ativa, observar o tamanho das lagartas e avaliar a intensidade das lesões. Com essa leitura, o produtor consegue decidir melhor quando intervir.
Neste artigo, você vai entender como identificar a Spodoptera frugiperda, reconhecer os primeiros sinais na lavoura e acompanhar o avanço da infestação. Também verá quais estratégias ajudam a reduzir falhas e manejar a resistência da lagarta-do-cartucho no milho.
O que é a lagarta-do-cartucho?
A lagarta-do-cartucho é a fase larval de Spodoptera frugiperda, espécie que ataca o milho e diversas outras culturas. Durante essa fase, o inseto se alimenta dos tecidos vegetais e concentra os principais danos observados na lavoura.
A capacidade de utilizar diferentes hospedeiros permite que a espécie encontre fontes de alimento em diferentes sistemas de cultivo e períodos do ano:
- Hábito polífago: alimenta-se de diferentes espécies vegetais;
- Diversidade de hospedeiros: utiliza culturas como milho, soja, algodão, sorgo e outras espécies.
Quando essas fontes de alimento permanecem disponíveis em diferentes épocas do ano, a praga encontra condições para sobreviver entre cultivos. Em sistemas com sucessão de culturas, essa dinâmica favorece a continuidade das populações nas áreas produtoras.
Como identificar a lagarta-do-cartucho no milho?
A identificação da lagarta-do-cartucho depende da observação da própria praga e dos sinais deixados na planta. A Spodoptera frugiperda apresenta características que ajudam a diferenciá-la de outras lagartas encontradas no milho:
- Cabeça com marca em “Y” invertido: característica visível na região frontal, mas que, isoladamente, não confirma a identificação da espécie;
- Pontos escuros no dorso: aparecem distribuídos pelo corpo e, no último segmento abdominal, quatro pontos formam um padrão semelhante aos vértices de um quadrado;
- Coloração variável: pode apresentar tons de verde, marrom ou mais escuros, conforme o desenvolvimento e as condições da lagarta.
Os sintomas ajudam a localizar pontos de atenção na lavoura, mas não confirmam sozinhos a espécie. Outras pragas podem provocar lesões semelhantes, por isso é importante inspecionar as plantas e procurar por lagartas vivas antes da tomada de decisão.
Quais são os primeiros sinais do ataque da lagarta-do-cartucho no milho?
As primeiras lesões costumam aparecer como raspagens superficiais nas folhas, causadas principalmente por lagartas jovens. Nessa fase, a epiderme permanece intacta e forma áreas mais claras ou translúcidas nas folhas.
À medida que a praga cresce, o consumo de tecido aumenta e as lesões se tornam maiores. O ataque ao cartucho também pode deixar material vegetal danificado e excrementos próximos ao ponto de alimentação.
Folhas lesionadas, isoladamente, não confirmam a presença de S. frugiperda. A inspeção precisa considerar os sintomas e as características da lagarta encontrada na planta.
Qual é o ciclo de vida da lagarta-do-cartucho?
O ciclo da Spodoptera frugiperda passa por quatro fases: ovo, lagarta, pupa e adulto. Segundo o IRAC-BR, esse processo completo leva cerca de 25 a 30 dias, com variações influenciadas por temperatura, hospedeiro e outras condições ambientais.
Entender o que ocorre em cada fase ajuda a relacionar o desenvolvimento da praga ao monitoramento da lavoura:
| Fase | O que acontece |
| Ovo | As posturas concentram centenas de ovos, que eclodem em cerca de três dias (podendo variar de 2 a 5 dias); |
| Lagarta | É a fase responsável pelos danos à cultura e tem duração, em geral, de 15 a 25 dias; |
| Pupa | Forma-se no solo e permanece nessa condição por cerca de 10 a 14 dias; |
| Adulto | A mariposa inicia um novo ciclo reprodutivo. As fêmeas têm alta capacidade reprodutiva, podendo ovipositar mais de 1.000 ovos ao longo da vida. |
O ciclo relativamente curto favorece o surgimento de novas gerações ao longo da safra, especialmente sob condições favoráveis ao desenvolvimento. Para o manejo, a fase larval exige maior atenção, pois é nesse período que ocorre a alimentação e se concentram os principais danos ao milho.
Quais danos a lagarta-do-cartucho causa no milho?
Os danos variam conforme o estádio da cultura, a intensidade da infestação e o estágio de desenvolvimento da praga. A alimentação pode atingir diferentes estruturas da planta e se tornar mais severa à medida que as lagartas crescem.
A Spodoptera frugiperda pode causar danos em:
- Folhas: raspagens e perfurações reduzem a área foliar e podem comprometer a capacidade fotossintética;
- Cartucho: o consumo de folhas novas amplia as lesões e favorece o acúmulo de excrementos;
- Estruturas reprodutivas: a alimentação pode atingir pendão e outras estruturas da planta, conforme o estádio da cultura e a localização das lagartas;
- Espigas: em determinadas situações, as lagartas podem atingir a espiga, alimentando-se da palha e, quando têm acesso aos grãos, podem causar danos diretamente nessa estrutura.
Ataques mais severos podem reduzir a área foliar, comprometer o desenvolvimento da cultura e aumentar o risco de perdas produtivas. A gravidade depende do estádio da cultura, da população da praga, do estágio de desenvolvimento das lagartas e da extensão dos danos observados na lavoura.
Em quais fases do milho a lagarta-do-cartucho exige mais atenção?
A lagarta-do-cartucho pode ocorrer em diferentes momentos do ciclo do milho, mas os estádios iniciais e vegetativos exigem atenção redobrada. Nesses períodos, o ataque às folhas novas e ao cartucho pode comprometer o desenvolvimento da planta e merece acompanhamento frequente.
A idade da cultura, sozinha, não define a necessidade de controle. A decisão deve considerar as condições observadas na área e os parâmetros técnicos recomendados para a cultura e a praga, especialmente:
- Estádio da planta: indica a sensibilidade da cultura aos danos;
- Tamanho das lagartas: ajuda a identificar o estágio de desenvolvimento da praga;
- Intensidade das lesões: auxilia a avaliar a evolução e a severidade dos danos;
- População encontrada: ajuda a dimensionar a pressão da infestação e a comparar os resultados com os parâmetros de decisão adotados para a cultura.
Como monitorar a lagarta-do-cartucho no milho?
O monitoramento precisa anteceder qualquer decisão de controle, porque folhas danificadas, sozinhas, não confirmam uma infestação ativa. A inspeção deve verificar a presença de lagartas vivas, seu estágio de desenvolvimento, sua distribuição na área e a evolução dos danos.
Para conduzir essa avaliação, o produtor deve:
- Inspecionar diferentes pontos da lavoura: a amostragem precisa representar a área e todas as suas condições, não se limitar a bordaduras ou focos isolados;
- Observar folhas novas e o cartucho: raspagens, perfurações, excrementos e material vegetal danificado ajudam a localizar pontos de atividade da praga;
- Confirmar a presença de lagartas vivas: danos antigos podem permanecer visíveis mesmo sem atividade atual da praga;
- Avaliar o tamanho das lagartas: indivíduos maiores estão em estágios mais avançados e tendem a ficar mais protegidos no interior da planta, o que pode dificultar o controle;
- Comparar a intensidade dos danos entre pontos da área: essa avaliação ajuda a entender se a infestação está localizada ou distribuída e acompanhar sua evolução;
- Repetir as avaliações em períodos de maior risco: fases iniciais e vegetativas, histórico de ocorrência e avanço dos sintomas pedem intervalos menores entre as inspeções.
O que observar durante o monitoramento?
A leitura da lavoura deve reunir três pontos principais: estádio da cultura, atividade da praga e evolução dos danos. Uma planta jovem com lagartas vivas e lesões recentes exige uma análise diferente daquela realizada em folhas com marcas antigas e sem presença do inseto.
O tamanho das lagartas ajuda a identificar o estágio da infestação, enquanto a distribuição dos focos mostra se a ocorrência está localizada ou distribuída. O histórico da área acrescenta contexto à avaliação, principalmente em lavouras com registros recorrentes de S. frugiperda.

Quando é necessário controlar a lagarta-do-cartucho?
O nível de ação orienta o momento de adotar medidas de controle antes que a infestação alcance uma condição economicamente prejudicial. Ele transforma os resultados do monitoramento em um critério técnico para o manejo.
Essa lógica se conecta ao Nível de Dano Econômico, que representa o ponto em que o valor das perdas causadas pela praga se iguala ao custo da medida de controle. O nível de ação é estabelecido abaixo desse limite, de modo que a intervenção possa ocorrer antes que o dano atinja o patamar correspondente ao NDE.
O nível de ação varia conforme o estádio do milho, o sistema de cultivo e as condições da área. O resultado da intervenção ainda depende de fatores como tecnologia de aplicação, comportamento da praga e resistência, o que impede o uso de um único percentual como regra para todas as lavouras.
Como controlar a lagarta-do-cartucho no milho?
O controle da lagarta-do-cartucho deve integrar diferentes ferramentas dentro do Manejo Integrado de Pragas, conforme as condições encontradas na área. Monitoramento, práticas culturais, tecnologias Bt, agentes biológicos e químicos cumprem funções complementares nessa estratégia.
Diante da seleção de populações resistentes, a Embrapa reforça o uso de refúgio estruturado e a rotação de modos de ação para preservar a eficiência das ferramentas disponíveis.
A partir dessa lógica, o manejo pode ser organizado em três frentes complementares:
Monitoramento e Manejo Integrado de Pragas
O MIP combina diferentes estratégias de acordo com as condições encontradas na lavoura. A proposta é integrar ferramentas complementares e reduzir a dependência de uma única medida de controle.
Áreas com milho Bt continuam exigindo acompanhamento e práticas específicas de manejo da resistência. O planejamento das áreas de refúgio contribui para manter insetos suscetíveis na população e prolongar a eficiência das tecnologias utilizadas.
Controle cultural
As práticas culturais podem reduzir as condições favoráveis à permanência de S. frugiperda no sistema produtivo. O manejo de plantas voluntárias, tigueras e espécies daninhas hospedeiras limita fontes de alimento entre um cultivo e outro.
A sucessão de culturas e os cuidados com a área na entressafra entram no mesmo planejamento. Quando culturas hospedeiras se sucedem continuamente, porém, a chamada “ponte verde” pode favorecer a manutenção da praga ao longo do ano. Essas medidas ganham importância em regiões onde diferentes hospedeiros permitem a continuidade da população da praga entre os cultivos.
Controle químico
A aplicação de inseticidas entra no manejo quando o monitoramento e os parâmetros de decisão indicarem a necessidade de intervenção. A escolha do inseticida para lagarta-do-cartucho deve considerar registro para cultura e alvo, tamanho das lagartas, localização da praga e condições de aplicação.
A rotação entre diferentes modos de ação contribui para retardar a seleção de populações resistentes. Qualidade de aplicação, posicionamento do produto e características do alvo influenciam o resultado da operação.
Quais são os principais erros no manejo da lagarta-do-cartucho no milho?
A eficiência do manejo depende da qualidade das decisões tomadas, desde o monitoramento até a escolha e aplicação das estratégias de controle. Falhas nessas etapas podem comprometer o resultado. Os erros mais recorrentes incluem:
- Iniciar o monitoramento somente após o avanço dos danos: a avaliação tardia dificulta acompanhar a evolução da infestação e identificar fases mais favoráveis ao manejo;
- Confundir danos antigos com infestação ativa: lesões permanecem visíveis nas folhas mesmo sem atividade atual da praga, o que exige confirmação da presença de lagartas vivas;
- Identificar incorretamente a praga: sintomas semelhantes entre diferentes pragas do milho podem levar a decisões baseadas em um diagnóstico equivocado;
- Repetir sucessivamente o mesmo mecanismo de ação: o uso frequente de inseticidas com o mesmo modo de ação aumenta a pressão de seleção e pode favorecer a evolução da resistência na população da praga;
- Desconsiderar a tecnologia de aplicação: cobertura, posicionamento do produto e localização das lagartas interferem no desempenho da operação;
- Concentrar o manejo em uma única estratégia: a dependência de uma única ferramenta limita a integração de métodos prevista no Manejo Integrado de Pragas;
- Negligenciar o manejo da resistência no milho Bt: falhas no refúgio estruturado e em outras práticas associadas favorecem a seleção de populações menos suscetíveis às tecnologias utilizadas.
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O manejo da lagarta-do-cartucho no milho exige decisões compatíveis com as condições observadas na lavoura. A definição da estratégia deve considerar cultura, alvo, momento da infestação, registro do produto e estratégia de manejo da resistência.
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O inseticida integra uma estratégia que também envolve monitoramento, rotação de modos de ação e tecnologia de aplicação. Nesse contexto, a Alta disponibiliza soluções de seu portfólio, com produtos de qualidade e entrega ágil para distribuidores, revendas e cooperativas, contribuindo para que o mercado tenha acesso às alternativas necessárias para o manejo adequado de cada situação.
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Perguntas frequentes sobre lagarta-do-cartucho no milho
Como identificar a lagarta-do-cartucho no milho?
A Spodoptera frugiperda apresenta uma marca em “Y” invertido na cabeça e pontos escuros distribuídos pelo dorso. Próximo ao final do abdômen, quatro pontos formam um padrão semelhante a um quadrado.
Quais são os primeiros sinais da lagarta-do-cartucho?
Os primeiros sinais costumam aparecer como raspagens superficiais nas folhas, que deixam áreas claras ou translúcidas. Com o desenvolvimento das lagartas, podem surgir perfurações maiores, danos no cartucho e presença de excrementos e resíduos vegetais.
Quais danos a lagarta-do-cartucho causa no milho?
A alimentação atinge folhas, cartucho, estruturas reprodutivas e espigas. Infestações mais severas podem reduzir a área foliar, prejudicar o desenvolvimento das plantas e elevar o risco de perdas produtivas.
Quando a lagarta-do-cartucho ataca o milho?
A praga ocorre em diferentes fases da cultura, com atenção especial aos estádios iniciais e vegetativos. A necessidade de intervenção depende da atividade da praga, do estágio de desenvolvimento das lagartas, da população encontrada e da intensidade da infestação.
Como controlar a lagarta-do-cartucho?
O manejo deve integrar monitoramento, práticas culturais, tecnologias Bt, controle biológico e químico, conforme as condições da área. O nível de ação, definido a partir dos resultados do monitoramento e dos parâmetros técnicos adotados para a cultura e a praga, orienta a necessidade de intervenção.
Como evitar resistência da lagarta-do-cartucho a inseticidas?
O manejo da resistência envolve a utilização adequada de diferentes modos de ação, a integração de diferentes estratégias de manejo e o uso dos inseticidas conforme registro, bula e orientação agronômica. Em áreas com milho Bt, o planejamento adequado do refúgio também integra essa estratégia de manejo de resistênc
Conteúdo revisado pela validadora técnica: Larissa Guzzo Teixeira, Analista de P&D e Mercado na Alta Defensivos.
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