Os ácaros estão entre as pragas que mais comprometem a rentabilidade das lavouras brasileiras. Os danos afetam o desenvolvimento das plantas e a qualidade da produção, com consequências diretas no resultado da safra.
O problema se agrava porque a infestação avança sem sinais visíveis. As colônias se formam na face inferior das folhas e, quando os sintomas aparecem na planta, o custo e a complexidade para solucionar tornam-se mais altos.
Identificar corretamente a espécie de ácaro-praga presente na lavoura é o primeiro passo para um controle eficiente. Cada espécie tem vulnerabilidades e comportamentos distintos, e esses fatores precisam ser identificados para adotar as melhores estratégias de intervenção.
A seguir, estão reunidas informações técnicas sobre os principais tipos de ácaros-praga, as culturas mais afetadas e as melhores estratégias de manejo integrado.
O que é um ácaro-praga?
Os ácaros pertencem à classe Arachnida, o mesmo grupo das aranhas. Possuem quatro pares de patas e não têm antenas. Atualmente, há mais de 50 mil espécies catalogadas no mundo. Na agricultura, eles podem ser divididos principalmente em dois grupos:
- Ácaros fitófagos: alimentam-se do conteúdo celular das plantas e incluem as principais espécies consideradas ácaros-praga. Ao se alimentarem, podem comprometer a fotossíntese, o desenvolvimento e a produtividade das culturas;
- Ácaros predadores: incluem espécies da família Phytoseiidae, que predam ácaros fitófagos e podem atuar como aliados no equilíbrio biológico da lavoura.
Quais são os principais tipos de ácaros-praga da agricultura?
Os ácaros-praga variam em comportamento, hospedeiros preferenciais e tipo de dano causado. Conhecer as principais espécies é fundamental para definir o manejo adequado e evitar prejuízos no seu planejamento de safra.
Ácaro-rajado
O Tetranychus urticae é uma das espécies de ácaros-praga de maior importância econômica no mundo e tem grande relevância na agricultura brasileira, especialmente em cultivos de grande extensão, como soja e algodão. Polífago, pode atacar diversas culturas e se alimentar do conteúdo celular das folhas, provocando clorose, redução da capacidade fotossintética e comprometimento do desenvolvimento das plantas. Em infestações mais intensas, produz teias sobre folhas e outras partes da planta, tornando os sintomas mais evidentes.
Ácaro-vermelho
Presente em culturas como soja e algodão, o Tetranychus ludeni se alimenta dos fluidos celulares das plantas, causando ressecamento e amarelamento das folhas.
Ácaro-vermelho do cafeeiro
O Oligonychus ilicis é uma espécie de ácaro-praga associada ao cafeeiro. Ao se alimentar dos tecidos das folhas, pode provocar bronzeamento, redução da capacidade fotossintética e queda no desenvolvimento das plantas.
Ácaro-branco
Brotos e folhas jovens de culturas como tomate, mamão e algodão são os alvos preferenciais do Polyphagotarsonemus latus. Os ataques causam deformações foliares, redução do crescimento e coloração bronzeada nas vagens.
O tamanho diminuto da espécie dificulta a detecção a olho nu, e a infestação costuma ser identificada apenas quando a população já atingiu nível de dano econômico.
Ácaro-purpúreo
Nos citros, o Panonychus citri provoca lesões em folhas, ramos e frutos, com mosqueamento foliar e desfolha severa como principais sintomas. A queda de produtividade é consequência das infestações mais intensas.
Ácaro-da-leprose
Os principais ácaros associados à transmissão da leprose dos citros são Brevipalpus phoenicis e Brevipalpus yothersi. Por muito tempo, essas espécies foram classificadas como B. phoenicis, mas estudos posteriores permitiram diferenciá-las. Esses ácaros podem transmitir o vírus da leprose dos citros, causando manchas marrons e halos amarelados em folhas, frutos e ramos, com impactos sobre a qualidade e a produtividade da cultura.
Ácaro-da-falsa-ferrugem
Comum em citros, o Phyllocoptruta oleivora pode se multiplicar em condições de clima mais seco. Após períodos de maior umidade, os sintomas da infestação podem se tornar mais evidentes, com o aparecimento de coloração escura ou prateada nos frutos, comprometendo sua qualidade e valor comercial.
Outras espécies de ácaros-praga
Além das cinco espécies descritas, outras também representam ameaças relevantes à produção agrícola:
- Ácaro-verde (Mononychellus planki): ataca principalmente a soja, causando clorose e redução da capacidade fotossintética;
- Ácaro-vermelho-europeu (Panonychus ulmi): praga da maçã, provoca bronzeamento das folhas e queda de produtividade em pomares;
- Ácaro-da-necrose-do-coqueiro (Eriophyes guerreronis): ataca os frutos do coqueiro, causando necrose e comprometendo a qualidade da produção;
- Ácaro-da-ferrugem-do-tomateiro (Aculops lycopersici): provoca bronzeamento e necrose nos tecidos do tomateiro, afetando folhas, hastes e frutos.
Quais culturas são afetadas pelos ácaros-praga?
Os ácaros-praga atacam uma ampla variedade de culturas, com espécies e níveis de dano que variam conforme a região e o sistema de cultivo. Café, citros, soja, algodão, tomate, mamão, maçã, coco e seringueira estão entre as culturas afetadas no Brasil.
A tabela a seguir reúne as principais associações entre espécies e culturas. A lista não é exaustiva: a ocorrência das pragas depende de fatores climáticos, de manejo e do histórico fitossanitário de cada área.
| Cultura | Nome comum | Nome científico |
| Café | Ácaro-da-leprose | Brevipalpus phoenicis |
| Ácaro-vermelho | Oligonychus ilicis | |
| Citros | Ácaro-da-leprose | Brevipalpus phoenicis |
| Ácaro-da-falsa-ferrugem | Phyllocoptruta oleivora | |
| Ácaro-vermelho | Tetranychus ludeni | |
| Ácaro-purpúreo | Panonychus citri | |
| Ácaro-branco | Polyphagotarsonemus latus | |
| Coco | Ácaro-da-necrose-do-coqueiro | Eriophyes guerreronis |
| Maçã | Ácaro-vermelho-europeu | Panonychus ulmi |
| Mamão | Ácaro-branco | Polyphagotarsonemus latus |
| Seringueira | Ácaro | Tenuipalpus hevea |
| Tomate | Ácaro-do-bronzeamento | Aculops lycopersici |
Qual a relação entre o clima e a presença de ácaros-praga?
O clima é um dos principais fatores que determinam a pressão de ácaros-praga nas lavouras. Temperaturas elevadas aceleram o ciclo biológico dessas espécies, reduzindo o tempo entre gerações. Em condições ideais, algumas espécies completam o ciclo em menos de uma semana.
A baixa umidade relativa do ar potencializa esse cenário. Além de favorecer o desenvolvimento dos fitófagos, ela reduz a eficácia dos inimigos naturais, como ácaros predadores e fungos entomopatogênicos, que dependem de umidade para atuar. Com menos controle biológico natural, o desequilíbrio populacional se instala com rapidez.
Períodos de estiagem prolongada intensificam esse processo. A combinação de calor, seca e estresse hídrico nas plantas cria condições favoráveis à explosão populacional dos ácaros.
Na safra 2025/26, a Conab registrou que a maior umidade nas lavouras de algodão reduziu a pressão de pragas sugadoras, especialmente ácaros e pulgões, o que ilustra como o clima interfere na dinâmica dessas populações.
Como controlar ácaros-praga na lavoura?
O controle de ácaros-praga exige uma abordagem integrada, que vai do monitoramento ao uso estratégico de acaricidas seletivos. Cada etapa tem um papel específico no resultado final da lavoura.
Veja como aplicar as práticas mais eficientes.
Faça o monitoramento da lavoura
O monitoramento é o ponto de partida do manejo. Sem acompanhar a densidade populacional da praga no campo, não é possível definir o momento certo de intervir nem avaliar a eficácia das medidas adotadas.
A prática deve ser realizada com frequência, percorrendo a lavoura em zigue-zague e inspecionando a face inferior das folhas com lupa de aumento. O controle deve ser acionado quando a população atingir o nível de dano econômico, não por calendário.
Identifique corretamente a espécie
Cada espécie de ácaro-praga apresenta comportamentos, hospedeiros preferenciais e vulnerabilidades distintos. O ácaro-branco, por exemplo, concentra-se nos brotos apicais, enquanto o ácaro-rajado forma colônias densas na face inferior das folhas e produz teia. Estratégias eficientes de controle dependem desse reconhecimento.
A identificação é feita por inspeções regulares com lupa, observando características morfológicas como coloração, presença de teia e localização na planta.
Elimine plantas hospedeiras
As plantas hospedeiras funcionam como reservatório de ácaros-praga entre safras. Eliminá-las antes do plantio e manter a área livre de plantas invasoras reduz a fonte de infestação e diminui a pressão sobre as culturas principais.
Faça o manejo integrado de pragas
O manejo integrado de pragas (MIP) combina três frentes de controle para manter as populações abaixo do nível de dano econômico:
- Controle biológico: Preservação e aplicação de inimigos naturais, incluindo ácaros predadores da família Phytoseiidae e bioacaricidas à base de fungos entomopatogênicos, como Beauveria bassiana e Cordyceps fumosorosea. Essas ferramentas auxiliam na redução das populações de ácaros fitófagos e podem contribuir para um manejo mais sustentável.
- Controle cultural: rotação de culturas, destruição de restos culturais, manejo adequado da irrigação e eliminação de plantas hospedeiras, práticas que reduzem as condições favoráveis à proliferação;
- Controle químico: uso de acaricidas seletivos quando a população atinge o nível de controle, preservando os inimigos naturais e reduzindo o risco de resistência.
Utilize acaricidas de forma estratégica
O uso de acaricidas é eficaz quando aplicado no momento certo e com o produto adequado para a espécie identificada.
Esses dois fatores são essenciais para evitar custos de manejo desnecessários e a redução da eficácia dos defensivos, além de serem fundamentais para diminuir o risco do desenvolvimento de resistência.
A rotação de princípios ativos entre aplicações é uma das principais recomendações para retardar a evolução da resistência. Acaricidas seletivos, que preservam os inimigos naturais presentes na lavoura, são a escolha mais indicada dentro de um programa de MIP.

Como prevenir infestações de ácaros-praga?
A prevenção reduz a pressão de ácaros-praga antes que a infestação se estabeleça. Algumas práticas aplicadas antes e durante o ciclo da cultura diminuem as condições favoráveis ao desenvolvimento das populações:
- Análise de solo antes do plantio: desequilíbrios nutricionais enfraquecem as plantas e aumentam a suscetibilidade ao ataque de ácaros. Uma adubação equilibrada favorece plantas mais vigorosas e tolerantes;
- Escolha de variedades tolerantes: variedades com maior resistência às espécies-praga presentes na região reduzem a vulnerabilidade da lavoura desde o plantio;
- Uso de sementes sadias e certificadas: evita a introdução de infestações já no início do ciclo produtivo;
- Manejo adequado da irrigação: períodos de estiagem favorecem a explosão populacional dos fitófagos. Manter a umidade em níveis adequados contribui para preservar o equilíbrio biológico da área.
O MIP aprofunda cada uma dessas práticas com etapas e critérios técnicos detalhados. Quer entender como aplicá-las na sua lavoura? Acesse o Guia do Manejo Integrado de Pragas da Alta Defensivos.
Principais erros no controle de ácaros-praga
O ácaro-rajado é um dos artrópodes com maior histórico de resistência a acaricidas no mundo. Boa parte desse cenário é resultado de práticas de manejo inadequadas que se repetem safra após safra. Os erros mais comuns são:
- Aplicar acaricida por calendário: a intervenção deve ser baseada no monitoramento e no nível de controle, não em datas fixas;
- Não identificar a espécie antes de agir: cada espécie exige uma estratégia específica. O produto certo para uma espécie pode ser ineficaz para outra;
- Repetir o mesmo princípio ativo: o uso contínuo do mesmo acaricida acelera o desenvolvimento de resistência;
- Usar acaricidas não seletivos: produtos que eliminam os inimigos naturais desequilibram a lavoura e favorecem a ressurgência dos ácaros fitófagos;
- Agir somente quando os sintomas aparecem: quando os danos se tornam visíveis, a população já atingiu níveis elevados e o custo do controle é maior;
- Ignorar as plantas hospedeiras: manter plantas invasoras e restos culturais na área mantém a fonte de infestação entre safras.
Contra ácaros-praga, a melhor defesa é o manejo correto
Um manejo eficiente começa pelo reconhecimento: nem toda espécie de ácaro presente na lavoura é uma praga.
Os ácaros predadores controlam as populações de fitófagos de forma natural e são aliados do produtor. Eliminá-los com produtos não seletivos desequilibra a lavoura e abre espaço para novas infestações.
Com ingrediente ativo espirodiclofeno, o Vilora atua como inibidor da síntese de lipídios, interrompendo o desenvolvimento de ovos e ninfas e reduzindo a postura de fêmeas adultas. Por apresentar modo de ação fisiológico e alto poder residual, proporciona proteção prolongada em diversos cultivos. Além disso, é seletivo aos ácaros predadores da família Phytoseiidae, preservando o controle biológico natural e fortalecendo as estratégias de Manejo Integrado de Pragas (MIP).
É uma solução de alto custo-benefício que preserva o equilíbrio biológico da área.
Conheça o Vilora e saiba como ele se encaixa no manejo da sua lavoura.
Perguntas frequentes sobre ácaros-praga
Todos os ácaros são iguais?
Não. Os ácaros pertencem a um grupo com mais de 50 mil espécies catalogadas, com comportamentos e funções distintos. Na agricultura, o grupo se divide principalmente em ácaros fitófagos, que se alimentam das células vegetais e causam danos às culturas, e ácaros predadores, que controlam as populações de pragas de forma natural.
Quais culturas são mais afetadas pelos ácaros-praga?
Café, citros, tomate, mamão, maçã, coco, seringueira, soja e algodão estão entre as culturas afetadas por ácaros-praga no Brasil. Algumas espécies são polífagas, ou seja, podem se alimentar de diferentes culturas, e a ocorrência e a intensidade dos danos variam conforme a espécie, a região, as condições climáticas e o histórico fitossanitário de cada área.
Como identificar um ataque de ácaros-praga?
Os primeiros sintomas incluem pontuações cloróticas ou bronzeamento nas folhas, deformações em brotos e frutos e, em infestações mais avançadas, presença de teia fina na face inferior das folhas. A confirmação é feita com lupa de aumento de pelo menos dez vezes, inspecionando a face inferior das folhas.
Quando aplicar acaricida?
A aplicação deve ser feita quando o monitoramento indicar que a população atingiu o nível de controle, nunca por calendário. O uso fora do momento adequado eleva os custos, reduz a eficácia e acelera o desenvolvimento de resistência pela praga. A definição do produto e da dose exige orientação de um engenheiro agrônomo.
Qual a diferença entre ácaros fitófagos e ácaros predadores?
Os ácaros fitófagos se alimentam do conteúdo celular das plantas, comprometendo a fotossíntese e a produtividade. Os ácaros predadores, principalmente da família Phytoseiidae, predam os fitófagos e atuam como inimigos naturais das pragas. O uso de acaricidas seletivos preserva os predadores e mantém o equilíbrio biológico da lavoura.
Conteúdo revisado pelo validador técnico: Tiago de Sá Cardoso, Gerente de P&D e Mercado na Alta Defensivos.
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