Conheça os principais tipos de lagarta e como combatê-las

Conheça os principais tipos de lagarta e como combatê-las

Você já encontrou folhas raspadas, brotos danificados ou vagens comprometidas na lavoura e ficou em dúvida sobre a causa? Em muitos casos, o problema está nos diferentes tipos de lagarta que atacam as culturas agrícolas no Brasil.

Essas pragas agem com rapidez e podem causar perdas expressivas quando não são identificadas a tempo. O clima brasileiro favorece o surgimento de diversas espécies, cada uma com comportamento e nível de dano específicos.

A lagarta-do-cartucho do milho é bastante conhecida no campo e apresenta alta capacidade de ataque em diferentes culturas. No entanto, outras espécies também merecem atenção, como a lagarta-da-soja, além de lagartas que ocorrem em culturas como algodão, feijão e trigo, cada uma com comportamento e nível de dano específicos.

Neste conteúdo, você vai conhecer os principais tipos de lagarta presentes nas lavouras e compreender seus impactos para tomar decisões mais assertivas no manejo. 

Entenda o impacto das pragas na produção agrícola

As pragas agrícolas representam um dos principais fatores de redução de produtividade no campo. No Brasil, estimativas indicam que as perdas causadas por pragas, doenças e plantas daninhas ultrapassam R$ 60 bilhões por ano na agricultura nacional

Dependendo da cultura, da espécie envolvida e do nível de infestação, as perdas podem ser expressivas e comprometer de forma significativa a produtividade. Esse cenário afeta diretamente a rentabilidade do produtor e aumenta a pressão sobre custos e manejo.

No contexto global, relatórios da Food and Agriculture Organization of the United Nations apontam que até 40% da produção agrícola mundial é perdida anualmente devido a pragas e doenças de plantas. O impacto econômico supera US$ 220 bilhões por ano.

Entre essas ameaças, as lagartas ocupam posição de destaque. Presentes em diversas culturas, elas atacam estruturas vegetativas e reprodutivas, comprometendo o desenvolvimento das plantas e o rendimento final.

Cada espécie apresenta comportamento específico, nível de dano distinto e exigências próprias de manejo. Por isso, conhecer os principais tipos de lagarta é fundamental para decisões técnicas mais assertivas nas lavouras brasileiras.

Lagartas presentes na soja

As lagartas da soja estão entre os principais desafios fitossanitários da cultura no Brasil. Elas podem atacar a lavoura desde as fases iniciais, comprometendo o estande, até as estruturas vegetativas e reprodutivas, impactando o rendimento final quando presentes em alta população.

Entre as espécies mais recorrentes no campo, destacam-se:

  • Lagartas iniciais (elasmo e lagarta-rosca): atacam plântulas logo após a emergência, causando falhas no estande e redução do potencial produtivo já nas primeiras fases da cultura;
  • Complexo Spodoptera (Spodoptera frugiperda, Spodoptera eridania e Spodoptera cosmioides): atacam folhas e estruturas reprodutivas, apresentam alta capacidade de adaptação e podem causar desfolha significativa e danos econômicos quando não manejadas de forma adequada; 
  • Falsas-medideiras (Chrysodeixis includens e Rachiplusia nu): apresentam ocorrência frequente em áreas de feijão e soja. Nos últimos anos, Rachiplusia nu tem chamado atenção pelo aumento de registros, inclusive em áreas cultivadas com soja Intacta, exigindo monitoramento constante;
  • Helicoverpa armigera: ataca folhas, flores e vagens, apresenta alta capacidade de multiplicação e elevado potencial de dano econômico;
  • Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis): importante desfolhadora da cultura, com relevância histórica no manejo da soja e potencial para causar perdas quando ocorre em altas populações, especialmente em áreas sem biotecnologia.

Lagartas presentes no feijão

Na cultura do feijão, a presença de lagartas pode comprometer tanto o crescimento das plantas quanto a formação das vagens. O impacto tende a ser maior quando o ataque ocorre na fase reprodutiva, mas danos também podem ser observados nas fases iniciais da lavoura.

Algumas espécies apresentam maior frequência nas lavouras brasileiras:

  • Lagartas iniciais (Elasmo e Lagarta-rosca): atacam plântulas logo após a emergência, causando falhas no estande e comprometendo o desenvolvimento inicial da lavoura; 
  • Falsa-medideira (Chrysodeixis includens): atua como importante desfolhadora do feijoeiro, consumindo o limbo foliar e reduzindo a área fotossintética da planta; 
  • Helicoverpa armigera: ataca flores e vagens, apresenta elevada capacidade reprodutiva e pode causar perdas significativas em infestações intensas;
  • Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda): pode atacar folhas e estruturas reprodutivas, especialmente em áreas com sucessão de culturas.

Segundo o time técnico da Alta Defensivos, “o controle de lagartas de solo, como Elasmopalpus lignosellus e Agrotis ipsilon, exige uma estratégia diferente das demais espécies. Tanto na soja quanto no feijão, essas pragas atacam a cultura ainda na fase de plântula e abaixo da superfície do solo. Por isso, o tratamento de sementes é uma das principais ferramentas de manejo, aliado ao monitoramento desde o estabelecimento da lavoura.

Lagartas presentes no trigo

A cultura do trigo também sofre pressão de lagartas ao longo do ciclo, especialmente nas regiões Sul do Brasil e nas áreas de expansão da cultura no Cerrado. A perda de área foliar reduz a capacidade fotossintética da planta e pode comprometer o enchimento de grãos.

Em sistemas com sucessão de culturas e presença de plantas hospedeiras na entressafra, o risco de infestação tende a aumentar. O monitoramento é decisivo para evitar que pequenas populações evoluam para níveis de dano econômico.

Na cultura do trigo, são frequentemente observadas:

  • Lagarta-do-trigo (Pseudaletia sequax): considerada uma das principais lagartas da cultura, pode causar perdas significativas no final do ciclo ao cortar espigas e derrubá-las no solo, reduzindo o potencial produtivo da lavoura, além de também consumir as folhas durante todo o ciclo da cultura;
  • Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda): ataca folhas e colmos, principalmente em áreas próximas ao milho.

Lagartas presentes no algodão

O algodão está entre as culturas mais sensíveis ao ataque de lagartas, especialmente nas fases reprodutivas, quando o impacto produtivo tende a ser mais expressivo. A eficiência da biotecnologia pode ser reduzida quando as pragas se instalam nessas estruturas, o que exige atenção constante no monitoramento.

A sucessão de culturas, como a soja antes do algodão, e a presença de plantas voluntárias e tigueras próximas às áreas produtivas favorecem a manutenção das populações ao longo do ano. Por isso, o acompanhamento técnico deve ser criterioso desde os estádios iniciais da cultura.

Na cotonicultura brasileira, destacam-se:

  • Lagarta-das-maçãs (Heliothis virescens): perfura botões florais e maçãs, comprometendo o desenvolvimento das estruturas reprodutivas; 
  • Helicoverpa armigera: ataca flores e maçãs, apresenta elevada capacidade de adaptação e pode causar perdas relevantes; 
  • Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda): consome folhas e também pode atingir estruturas reprodutivas, tornando-se um desafio adicional diante de relatos de redução na eficiência de controle pelas biotecnologias;
  • Lagarta-rosada (Pectinophora gossypiella): ataca as maçãs do algodoeiro, onde completa parte do seu desenvolvimento, causando danos que podem afetar a produção e a qualidade da fibra. 

Outros tipos de lagarta-praga comuns no Brasil

Além das espécies mais recorrentes nas principais culturas, outros tipos de lagarta também merecem atenção nas lavouras brasileiras. Muitas delas atuam em estádios iniciais das plantas ou aproveitam condições específicas de solo e clima para se estabelecer.

Entre as lagartas-praga que podem causar prejuízos em diferentes sistemas produtivos, destacam-se:

  • Lagarta-dos-capinzais (Mocis latipes): consome rapidamente a área foliar, formando reboleiras e reduzindo o potencial produtivo quando ocorre em alta população.

Como evitar a infestação de lagartas na lavoura?

A prevenção é uma das estratégias mais eficientes para reduzir a pressão dos diferentes tipos de lagarta nas culturas agrícolas. Dentro dos princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP), a adoção de boas práticas diminui o risco de explosões populacionais e facilita o manejo quando necessário. 

Algumas ações práticas recomendadas pelo MIP ajudam a reduzir a probabilidade de infestação:

  • Monitoramento frequente: realizar inspeções semanais na lavoura permite identificar a presença de lagartas ainda em estágios iniciais, quando o potencial de dano é menor;
  • Semeadura na janela adequada: respeitar o zoneamento agrícola reduz a exposição da cultura aos picos populacionais das principais espécies;
  • Eliminação de plantas hospedeiras: controlar tigueras e plantas daninhas evita a manutenção dos tipos de lagarta entre safras;
  • Rotação de culturas: alternar espécies cultivadas contribui para quebrar o ciclo biológico das pragas e reduzir a pressão populacional;
  • Uso de áreas de refúgio em cultivares Bt: manter a proporção recomendada ajuda a preservar a eficiência da tecnologia e reduzir a seleção de resistência;
  • Integração de controle biológico: incentivar inimigos naturais e utilizar agentes biológicos fortalece o equilíbrio do sistema produtivo;
  • Planejamento estratégico do manejo: registrar ocorrências, histórico de infestação e custos por talhão orienta decisões mais assertivas ao longo da safra.

Como fazer o manejo dos diferentes tipos de lagarta?

O manejo eficiente dos diferentes tipos de lagarta exige planejamento e decisões técnicas bem fundamentadas. A redução de perdas depende da integração de práticas adotadas ao longo de todo o ciclo da cultura.

A combinação entre monitoramento, identificação correta, manejo cultural e escolha adequada do defensivo sustenta uma estratégia mais consistente no campo. Cada etapa influencia diretamente o nível de controle obtido.

Faça o monitoramento constante

Acompanhar a lavoura de forma sistemática permite identificar a presença de lagartas ainda em baixa densidade populacional. Nessa fase, o controle tende a apresentar melhor desempenho e menor custo por área.

O método de monitoramento varia conforme a cultura:

  • Soja e feijão: utilizar pano de batida para estimar a população de lagartas por metro, além de observar desfolha e presença de ovos nas folhas;
  • Milho: avaliar cartuchos, identificar raspagens nas folhas e verificar a presença de lagartas no interior da planta;
  • Algodão: realizar contagem de botões e maçãs danificadas, além de observar diretamente a presença de lagartas nas estruturas reprodutivas.

As informações coletadas orientam decisões mais seguras e permitem definir o momento adequado de intervenção. 

Quando o monitoramento não ocorre com regularidade, a infestação pode evoluir rapidamente e ampliar o impacto sobre a produtividade.

Identifique o tipo de lagarta

Definir qual espécie está presente na área é decisivo para ajustar o manejo. Diferenças no comportamento alimentar, no ciclo de vida e na resposta aos ingredientes ativos exigem abordagens específicas.

Para uma identificação mais assertiva, é importante observar:

  • Local do ataque: lagartas de solo atacam a base da planta; desfolhadoras atuam nas folhas; espécies como Heliothis e Helicoverpa concentram-se em estruturas reprodutivas;
  • Tipo de dano: raspagens superficiais indicam estágios iniciais; perfurações em vagens, espigas ou maçãs sugerem espécies com hábito reprodutivo;
  • Comportamento da lagarta: algumas permanecem expostas nas folhas, enquanto outras se abrigam no interior da planta ou no solo;
  • Características visuais: coloração, presença de listras longitudinais, formato da cabeça e padrão de movimentação ajudam na diferenciação entre espécies como Spodoptera, Helicoverpa e lagartas iniciais.

Elimine plantas hospedeiras

Mesmo fora do ciclo da cultura principal, algumas plantas funcionam como abrigo e fonte de alimento para as lagartas. Essa condição mantém a população ativa na área.

A eliminação de restos culturais, o controle de plantas daninhas e a rotação de culturas reduzem a disponibilidade de hospedeiros. O cuidado com bordaduras também contribui para diminuir focos de sobrevivência.

Com essas práticas, o ambiente se torna menos favorável ao desenvolvimento dos diferentes tipos de lagarta.

Escolha o defensivo mais adequado

A eficiência do controle depende da seleção correta do produto para cada situação. Espécie presente, estágio da cultura, intensidade da infestação, fase de desenvolvimento da praga e histórico da área devem orientar a decisão.

O posicionamento adequado e a rotação de modos de ação aumentam o desempenho da aplicação e reduzem a pressão de seleção de resistência, fortalecendo o Manejo Integrado de Pragas.

A Alta Defensivos conta com um portfólio diversificado, incluindo fenil pirazol para tratamento de sementes e soluções para aplicações foliares, como benzoilureias fisiológicas, análogo de pirazol, organofosforados e piretroides.

Essa diversidade permite selecionar o modo de ação mais indicado para cada cenário de infestação e fortalecer as estratégias de manejo ao longo da safra.

Proteja sua lavoura com a Alta

O controle eficiente dos diferentes tipos de lagarta exige soluções desenvolvidas com tecnologia, qualidade e rigor técnico. A escolha do parceiro certo influencia diretamente o desempenho do manejo no campo.

A Alta Defensivos investe em processos produtivos criteriosos, controle de qualidade rigoroso e formulações adequadas às exigências das principais culturas brasileiras. Cada produto é desenvolvido para atender às demandas reais do agricultor e do agrônomo.

O portfólio contempla inseticidas indicados para o controle de lagartas na soja, feijão, trigo, algodão e outras culturas de importância econômica. As soluções são posicionadas de acordo com a espécie presente e o estágio da lavoura.

Com orientação técnica especializada e foco em inovação, a Alta atua como aliada no enfrentamento dos desafios fitossanitários.

Conheça a linha completa de inseticidas da Alta Defensivos e encontre a solução ideal para sua lavoura.

Perguntas frequentes sobre tipos de lagarta

Existem inimigos naturais que ajudam no controle de lagartas na soja?

Sim. Parasitoides como Trichogramma, fungos entomopatogênicos como Nomuraea rileyi e predadores naturais contribuem para reduzir populações de lagartas na soja. No entanto, sua eficiência pode ser afetada por aplicações de fungicidas e inseticidas na lavoura, por isso o controle biológico deve ser integrado de forma estratégica ao MIP.

Qual é a lagarta que enrola as folhas da soja?

A lagarta que enrola folhas da soja é a lagarta-enroladeira (Omiodes indicatus). Ela une os folíolos com fios de seda para formar um abrigo onde se alimenta protegida. Já a broca-das-axilas (Crocidosema aporema) não enrola folhas, mas perfura ponteiros e axilas da planta, penetrando no caule.

Como escolher o melhor inseticida para lagarta?

A escolha do inseticida deve considerar a cultura, a espécie de lagarta, o estágio da praga e o modo de ação do produto. A rotação entre diferentes grupos químicos é essencial para reduzir o risco de resistência e manter a eficiência dos ingredientes ativos ao longo das safras.

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