Bicudo-do-algodoeiro: saiba como controlar a praga

Entre as pragas que mais ameaçam a cultura do algodão, o bicudo-do-algodoeiro continua sendo um dos maiores desafios para o produtor. Com alto potencial destrutivo, sua presença pode passar despercebida no início, mas o prejuízo aparece rápido quando o controle falha.
Estamos falando de preservar a produtividade da lavoura, reduzir custos com aplicações repetidas e proteger a rentabilidade da safra. Colher bem ou acumular prejuízos depende do entendimento sobre o comportamento do inseto e da decisão de agir no momento certo.
Neste conteúdo, vamos explicar como ocorre o ataque do bicudo na lavoura de algodão, os danos que ele causa e, principalmente, as melhores formas de controle. Também preparamos um infográfico sobre o ciclo de vida do bicudo para te ajudar a visualizar os pontos críticos de manejo. Vamos em frente?
O que é o bicudo-do-algodoeiro?
O bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) é uma praga altamente especializada e tem o algodão como principal fonte de alimento e reprodução. Trata-se de um besouro pequeno, com 3 a 9 milímetros, pertencente à família dos curculionídeos.
Sua principal característica é o “bico” alongado, usado para perfurar os botões florais e as maçãs do algodão. O inseto se alimenta, se reproduz e completa seu ciclo no interior das estruturas reprodutivas da planta, o que dificulta muito o controle, já que as larvas ficam protegidas no interior dos botões.
O ataque do bicudo começa geralmente nas bordaduras da lavoura, mas pode se espalhar com rapidez quando as condições climáticas são favoráveis, sobretudo em períodos de calor e umidade.
A praga é considerada uma das mais destrutivas da cultura do algodão no Brasil e nas Américas. Sem o controle adequado, o bicudo pode causar perdas de até 100% da produção e colocar em risco toda a rentabilidade da safra.
A engenheira agrônoma Larissa Guzzo Teixeira explica que na entressafra, ele pode sobreviver em plantas voluntárias, espécies da família Malvaceae e restos culturais, que funcionam como abrigo até a próxima safra.
Conheça o ciclo do bicudo-do-algodoeiro
O ciclo do bicudo-do-algodoeiro começa com a postura dos ovos nos botões florais e termina com o surgimento do inseto adulto, pronto para reiniciar o processo.
Esse ciclo é influenciado pelas condições climáticas: em ambientes quentes e úmidos, o desenvolvimento completo pode ocorrer em apenas 20 dias. Isso significa que, em uma única safra, o bicudo pode passar por até seis gerações, aumentando a pressão da praga na lavoura.
A seguir, você confere um infográfico que detalha cada fase desse ciclo:

Como identificar o bicudo-do-algodoeiro na lavoura?
Quando adulto, o bicudo do algodão é um besouro pequeno, medindo entre 3 e 9 milímetros, com coloração variando do castanho ao acinzentado. Seu corpo é compacto, e o principal destaque é o bico alongado na cabeça, usado para perfurar botões florais e maçãs.
Apesar de se espalhar com facilidade, ele não possui um voo eficiente, por isso a infestação geralmente começa nas bordas da lavoura.
Os adultos são encontrados com maior frequência no terço médio da planta, nos botões florais, onde há maior disponibilidade de alimento.
No caso das larvas, a identificação é mais difícil, porque elas são esbranquiçadas, ápodas (sem pernas), e se desenvolvem escondidas e protegidas no interior dos botões e maçãs.
Quais são os danos causados pela presença do bicudo no algodão?
Saber identificar o bicudo na lavoura de algodão logo no início da infestação é importante para um controle eficaz. Mas, na prática, o agricultor reconhece o problema pelos sinais visíveis nos botões florais e nas maçãs, que indicam a ação do inseto mesmo quando ele não é facilmente visto a olho nu.
Confira os principais sinais de alerta:
- Botões florais com brácteas abertas e coloração amarelada;
- Queda prematura de botões e flores sem explicação aparente;
- Flores com aspecto de “balão”, com pétalas deformadas e fechadas;
- Perfurações únicas nos botões, cobertas por uma camada de substância cerosa (oviposição);
- Vários furos abertos e próximos entre si, sem cera (alimentação do adulto);
- Capulhos com danos internos, sementes escuras e fibras malformadas;
- Presença de fezes amareladas junto aos botões atacados;
- Alta captura de adultos em armadilhas com feromônio na bordadura da lavoura.
Ao identificar qualquer um desses sinais, é necessário intensificar o monitoramento e definir a estratégia de controle com base no nível de infestação.
Como controlar o bicudo-do-algodoeiro?
O controle do bicudo-do-algodoeiro é um dos principais desafios da cotonicultura. A praga evolui rápido e, se não houver resposta técnica bem planejada, o número de aplicações dispara, os custos aumentam e o prejuízo se instala.
A recomendação da agrônoma Larissa é iniciar o manejo do bicudo ainda na entressafra, com monitoramento constante e eliminação das suas fontes de sobrevivência.
“Após a implantação da lavoura, o acompanhamento deve ser contínuo, iniciando-se o controle assim que os primeiros adultos forem detectados, principalmente antes e durante a formação dos botões florais”, completa.
A seguir, veja como implementar um manejo integrado eficiente, combinando táticas culturais, químicas e comportamentais:
Monitoramento contínuo
Tudo começa com o monitoramento na entressafra. O uso de armadilhas com feromônio, instaladas cerca de 60 dias antes do plantio, permite identificar precocemente a presença de adultos vindos dos refúgios.
Durante a safra, o acompanhamento semanal dessas armadilhas gera o índice BAS (bicudo por armadilha por semana), que orienta o grau de risco e auxilia na tomada de decisão para o manejo.
Além das armadilhas, a amostragem visual dos botões florais deve ser feita em pontos representativos da lavoura. O nível de ação geralmente adotado é de 5% de botões atacados. Acima disso, o avanço da praga pode superar a capacidade de contenção.
Controle químico
Inseticidas para bicudo-do-algodoeiro devem ser aplicados com base no nível de ação, e não por calendário fixo. A pulverização sistemática e sem critério, além de ineficaz, acelera o surgimento de resistência.
O ideal é aplicar no início do florescimento, priorizando as bordaduras, onde o bicudo se instala primeiro. O uso de produtos com diferentes modos de ação e a rotação de ingredientes ativos são indispensáveis.
Produtos com ação de choque e residual, como Saggio, oferecem alto desempenho no controle dos adultos expostos.
Após a fase B1 (primeiro botão floral), as pulverizações devem ser mantidas de forma localizada, sempre guiadas pelos dados do monitoramento. No interior do talhão, a aplicação só se justifica se houver presença confirmada ou se o BAS estiver acima do tolerado.
Aplicação localizada nas bordas
Os insetos sobreviventes da entressafra migram para a lavoura atraídos pelas estruturas florais. Eles entram pelas bordaduras, que concentram maior densidade de botões e, por consequência, mais alimento e locais de oviposição.
Ao aplicar inseticidas de forma localizada nas bordas da lavoura (faixa de 30 a 50 metros), é possível formar uma barreira química que impede a entrada e a reprodução do bicudo.
Essa técnica viabiliza um controle mais direcionado da praga e contribui para a redução do volume total de aplicações, diminuindo o custo e o impacto ambiental sem perder a eficiência do manejo.
Controle comportamental
No controle do bicudo-do-algodoeiro, tecnologias que combinam feromônio, atrativo alimentar e inseticida contribuem significativamente para o manejo, especialmente no final do ciclo da cultura.
O Tubo Mata-Bicudo (TMB) é uma dessas ferramentas. Trata-se de um tubo de papelão verde-limão, revestido internamente com atraentes alimentares e inseticida de contato.
Na parte superior, o dispositivo contém feromônio de agregação específico do bicudo, que atrai os adultos em busca de parceiros. Quando entram em contato com o tubo, os insetos são eliminados. A instalação é feita nas bordaduras da lavoura, preferencialmente no pós-colheita e na pré-safra.
Outra técnica eficaz é a chamada soqueira-isca, em que o produtor mantém uma pequena faixa de plantas de algodão após a colheita que servem como isca viva.
Os bicudos são atraídos para essa área remanescente, onde são feitas pulverizações sequenciais e direcionadas, sem necessidade de aplicar inseticida na lavoura inteira.
Destruição de soqueiras e tigueras
O bicudo sobrevive entre safras nas soqueiras e plantas voluntárias de algodão, que funcionam como ponte verde até o próximo ciclo.
Por isso, a destruição completa da soqueira deve ocorrer, preferencialmente, em até 30 dias após a colheita. O uso de equipamentos adequados para arranquio e trituração, seguido de aplicação de herbicidas específicos, garante que não haja rebrota.
É importante lembrar que até as plantas de algodão resistentes ao glifosato podem rebrotar e manter a praga ativa. Nessas situações, a combinação entre método mecânico e químico é a mais eficaz.
Vazio sanitário
O vazio sanitário do algodoeiro é uma das estratégias mais eficazes para quebrar o ciclo do bicudo-do-algodoeiro.
Essa prática exige que o campo fique totalmente livre de plantas vivas de algodão por um período contínuo, sem nenhuma exceção, para eliminar a fonte de alimento e reprodução do inseto durante a entressafra.
A duração do vazio sanitário varia conforme a região, mas costuma ser de 60 a 90 dias, conforme estabelecido por legislações estaduais específicas. O calendário é definido com base em legislação fitossanitária estadual vigente, frequentemente alinhado ao ZARC (Zoneamento Agrícola de Risco Climático).
Proteja sua lavoura com Saggio
Quando o bicudo aparece, cada dia perdido sem controle é uma geração a mais da praga afetando o rendimento da lavoura. E é por isso que Saggio é o inseticida para bicudo-do-algodoeiro recomendado pela Alta Defensivos.
Com ação sistêmica de contato e ingestão, Saggio atua rápido, possui efeito residual duradouro e ainda age por repulsão na proteção contra pragas sugadoras, mastigadoras, ácaros e, com destaque, o bicudo.
No manejo do bicudo, o Saggio deve ser aplicado quando o monitoramento indicar entre 3 a 5% de botões florais atacados. O ideal é fazer três aplicações sequenciais, com intervalo de 5 dias entre elas, sempre ajustando a dose conforme a pressão da praga ou condições mais favoráveis ao ataque.
Com a Alta Defensivos, você tem desempenho técnico, resposta rápida e segurança agronômica: veja como incluir Saggio no seu plano de controle para proteger a sua lavoura.
Perguntas frequentes sobre bicudo-do-algodoeiro
No campo, as dúvidas sobre o bicudo-do-algodoeiro surgem a cada nova safra. A seguir, respondemos algumas das perguntas mais comuns entre produtores:
O bicudo-do-algodoeiro pode viver em outras plantas?
Apesar da preferência pelas estruturas reprodutivas do algodão, o bicudo-do-algodoeiro é capaz de sobreviver em algumas espécies da mesma família botânica, como hibisco e quiabo.
No entanto, esses hospedeiros alternativos não são ideais para sua reprodução, e o inseto adulto somente se abriga ou se alimenta nessas plantas. Por isso, é importante eliminar essas alternativas no entorno da lavoura durante a entressafra.
Quando começar o controle do bicudo no algodão?
A fase mais sensível para iniciar o manejo é a entressafra, sobretudo no período que antecede a formação dos primeiros botões florais. É nessa janela que os adultos começam a migrar em busca de novas áreas com alimento e condições favoráveis à reprodução.
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