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Bicudo-do-algodoeiro: como identificar, controlar e proteger a lavoura 

O bicudo-do-algodoeiro é uma das principais pragas do algodão. As perdas podem chegar a níveis altos quando o controle não acontece no momento certo, elevando também o custo por hectare com aplicações e operações.

O manejo exige consistência ao longo de todo o ciclo da cultura, e cada fase da lavoura pede uma ação específica. O resultado depende da execução correta e no tempo adequado. A pressão do bicudo aumenta quando falhas pontuais se acumulam, principalmente na entressafra e no início do desenvolvimento da planta.

Neste conteúdo, vamos apresentar os principais elementos do manejo integrado de pragas aplicado ao bicudo-do-algodoeiro. Também preparamos um infográfico com o ciclo de vida do inseto para apoiar o planejamento das ações no campo. Acompanhe a leitura!

O que é o bicudo-do-algodoeiro?

O bicudo-do-algodoeiro, conhecido cientificamente como Anthonomus grandis, é um besouro da família Curculionidae. Seu principal traço é a estrutura alongada na cabeça, semelhante a um bico , que serve para perfurar os botões florais para alimentação e oviposição. 

O inseto mede entre 3 e 8 milímetros, tem coloração entre castanho e acinzentado e apresenta alta capacidade de adaptação ao ambiente da lavoura.

O inseto foi identificado no Brasil em 1983, na região de Campinas (SP), com indícios de introdução a partir dos Estados Unidos. A área plantada de algodão sofreu uma queda superior a 60% na década seguinte, com impacto econômico relevante e perda significativa de empregos no setor. 

Hoje, essa praga está presente em praticamente todas as regiões produtoras do país e representa um desafio estrutural da cotonicultura brasileira devido à capacidade de reduzir a produtividade e elevar custos. 

Qual é o ciclo de vida do bicudo-do-algodoeiro?

O ciclo de vida do bicudo-do-algodoeiro é rápido e grande parte do seu desenvolvimento ocorre protegida, fora do alcance direto das aplicações. 

A fêmea perfura o botão floral e deposita o ovo no interior da estrutura. Esse orifício é fechado com uma secreção que dificulta a identificação inicial no campo. Após a eclosão, a larva permanece dentro do botão e se alimenta do tecido interno. Esse é o estágio que mais afeta a produção, porque destrói a estrutura antes mesmo de ela se desenvolver.

Na sequência, ocorre a fase de pupa, ainda protegida dentro do botão ou da maçã. Após esse período, emerge o adulto, que retorna à planta para se alimentar e iniciar um novo ciclo. 

Em condições favoráveis de temperatura e umidade, todo esse processo é concluído em cerca de 20 dias, com várias gerações ao longo da safra.

Temperaturas elevadas e umidade favorecem a multiplicação da praga e aceleram a formação de novas gerações. Esse ritmo exige que o produtor acompanhe o ciclo de perto para agir no momento correto, principalmente no início da formação dos botões florais.

Para entender onde a praga está em cada momento da lavoura, confira o infográfico que preparamos com o ciclo de vida do bicudo-do-algodoeiro: 

Quais danos o bicudo-do-algodoeiro causa ao algodão?

O bicudo-do-algodoeiro ataca as estruturas reprodutivas da planta e prejudica o desenvolvimento da planta logo na fase que define a produtividade.

O primeiro sinal é a queda dos botões, mas, mesmo antes disso, já é possível observar pequenas perfurações. Em muitos casos, a estrutura amarela enfraquece e se desprende. Esse processo reduz o número de maçãs formadas ao longo do ciclo.

Dentro desses botões, a larva se desenvolve consumindo o tecido interno, por isso é comum observar o formato conhecido como “flor em balão”. O processo interrompe a formação das estruturas reprodutivas. 

Nas maçãs, o ataque interno afeta o enchimento e a qualidade das fibras e das sementes, resultando em redução no peso do capulho e perda de qualidade da pluma. 

Sem o controle adequado, o bicudo-do-algodão pode reduzir o potencial produtivo da lavoura em até 70%. O manejo da praga representa cerca de 11% do custo de produção, com prejuízos que ultrapassam US$ 200 por hectare em algumas regiões.

Como monitorar o bicudo-do-algodoeiro?

O monitoramento do bicudo-do-algodoeiro deve começar antes mesmo do plantio. O inseto permanece na área durante a entressafra, abrigado em restos culturais e plantas voluntárias. Nesse período, o uso de armadilhas com feromônio ajuda a identificar a presença do adulto e direcionar as primeiras ações de manejo.

Durante o desenvolvimento da cultura, o monitoramento é feito dentro do talhão, com a inspeção de botões florais e foco no terço médio da planta. A presença de perfurações e estruturas com sinais de oviposição indica atividade da praga, mesmo quando o adulto não é facilmente visualizado.

A vistoria de cerca de 250 botões por área permite estimar o nível de infestação. Quando o índice de ataque se aproxima de 5%, o controle precisa ser iniciado.  

Como controlar o bicudo-do-algodoeiro?

O resultado no campo depende da combinação entre manejo cultural, monitoramento, uso estratégico de inseticidas e integração de práticas ao longo da safra e da entressafra.

Para organizar esse controle, o manejo precisa ser estruturado em três momentos: antes do plantio, durante o desenvolvimento da cultura e no final do ciclo.  

Pré-plantio

O manejo começa antes da semeadura, porque o bicudo permanece ativo na área durante a entressafra, utilizando soqueiras, tigueras e hospedeiros alternativos. Esse período define a população inicial que entra na lavoura.

As principais ações nesta fase são:

  • Instalar armadilhas com feromônio entre 30 e 60 dias antes do plantio, priorizando bordaduras e pontos estratégicos da área;
  • Realizar a leitura semanal das armadilhas, com troca do feromônio a cada 15 dias;
  • Monitorar as áreas de soja e eliminar as plantas voluntárias de algodão, que mantêm o ciclo da praga ativo;
  • Realizar aplicações no final do ciclo da soja e na dessecação quando houver captura frequente de adultos;
  • Posicionar dispositivos atrativos nas áreas com maior presença do inseto para controlar a população antes da migração;
  • Concentrar o plantio em uma janela mais curta, limitando o período com estruturas reprodutivas na lavoura. 

A redução populacional nessa fase diminui a pressão inicial dentro do talhão.

Após o plantio

Com a lavoura implantada, o objetivo é interromper o ciclo do inseto dentro da cultura. O ataque se intensifica com o surgimento dos botões florais, então esse é o ponto de maior risco para a multiplicação da praga.

As ações recomendadas são:

  • Realizar aplicação ainda na fase vegetativa em áreas com histórico de infestação ou presença de tigueras;
  • Iniciar uma sequência de pelo menos três aplicações no surgimento dos primeiros botões florais, com intervalo de cerca de 5 dias;
  • Manter o monitoramento semanal com inspeção de botões no terço médio da planta;
  • Avaliar aproximadamente 250 botões por área para estimar o nível de infestação;
  • Reforçar as aplicações em fases críticas, como início do florescimento e formação das primeiras maçãs;
  • Ajustar a estratégia conforme o nível de ataque, com rotação de ativos para prevenir a resistência.

O uso de defensivos deve seguir orientação técnica e considerar as recomendações específicas de cada produto. A aplicação precisa respeitar a bula, o momento correto e a dose indicada, sempre com a prescrição de um profissional habilitado.

Fim de ciclo

O manejo no final da safra influencia a pressão da praga no próximo ciclo, porque a permanência de estruturas reprodutivas permite que o inseto continue se reproduzindo.

Algumas práticas importantes são:

  • Realizar aplicações próximas à formação dos primeiros capulhos quando ainda houver flores e maçãs pequenas;
  • Instalar dispositivos atrativos antes da desfolha para capturar os adultos remanescentes;
  • Realizar colheita rápida e evitar a permanência de estruturas no campo;
  • Destruir as soqueiras logo após a colheita, com atenção ao momento correto da aplicação;
  • Garantir presença de rebrota adequada antes da aplicação, condição que aumenta a eficiência do controle;
  • Realizar pelo menos duas aplicações direcionadas aos rebrotes para a eliminação completa das plantas remanescentes;
  • Cumprir o vazio sanitário e eliminar completamente as plantas vivas de algodão;
  • Controlar as plantas tigueras em bordaduras, estradas e áreas de transporte.

A destruição correta das soqueiras reduz a sobrevivência do bicudo na entressafra e diminui a infestação na safra seguinte.

Principais erros no controle do bicudo-do-algodoeiro

O controle do bicudo-do-algodoeiro geralmente falha mais por execução do que por falta de tecnologia. Os erros mais comuns são:

  • Iniciar o monitoramento somente depois do aparecimento de danos visíveis;
  • Ignorar a entressafra e manter soqueiras e plantas tigueras na área;
  • Realizar aplicações fora do momento correto, sem considerar o ciclo da praga;
  • Não respeitar o intervalo entre as aplicações sequenciais;
  • Utilizar o mesmo grupo químico repetidamente, favorecendo resistência;
  • Não concentrar a janela de plantio e prolongar a oferta de estruturas reprodutivas;
  • Deixar áreas vizinhas sem manejo, permitindo a reinfestação constante;
  • Realizar a destruição de soqueira com baixa rebrota;
  • Falhar na cobertura de aplicação, principalmente em bordaduras e áreas com obstáculos;
  • Não seguir a orientação técnica e as recomendações de bula no uso de defensivos.

Como proteger a lavoura durante toda a safra?

A proteção da lavoura contra o bicudo-do-algodão exige planejamento contínuo. O manejo precisa acompanhar o ciclo da cultura e o comportamento da praga em cada fase.   

O planejamento fitossanitário organiza esse processo e define o posicionamento das práticas do pré-plantio ao final da safra, enquanto o monitoramento contínuo direciona a ação antes do aumento populacional.

O manejo integrado de pragas combina as abordagens que sustentam esse controle:

  • Monitoramento constante para identificar a presença da praga no momento inicial;
  • Manejo cultural com eliminação de soqueiras, tigueras e plantas voluntárias;
  • Uso estratégico de defensivos com base no nível de infestação;
  • Rotação de ativos para manter a eficiência das aplicações;
  • Adoção de práticas preventivas na entressafra.

A proteção da lavoura depende da continuidade dessas ações ao longo de todo o ciclo produtivo.

Conte com a Alta para fortalecer o manejo do bicudo-do-algodoeiro

Quando a aplicação falha, o bicudo-do-algodoeiro consegue completar o ciclo dentro da planta e a infestação avança mesmo com novas intervenções.

A Alta Defensivos oferece soluções que se encaixam nas diferentes fases da cultura e orientação técnica para apoiar a definição do momento de entrada, do produto e do ajuste das operações na lavoura. 

Acesse o catálogo e confira os produtos disponíveis para o controle do bicudo-do-algodoeiro. 

Perguntas frequentes sobre o bicudo-do-algodoeiro

É comum ter dúvidas na identificação do bicudo-do-algodão e também quanto ao momento certo de agir. Confira um guia rápido com as perguntas mais comuns sobre a praga: 

O que é o bicudo-do-algodoeiro?

É um besouro (Anthonomus grandis) que ataca botões, flores e maçãs do algodão. A larva se desenvolve dentro da planta e dificulta o controle. 

Como identificar o bicudo-do-algodoeiro?

Os sinais aparecem nos botões florais com perfurações visíveis, orifícios com ou sem cera, queda de botões e flor em formato de “balão”. A inspeção dos botões no terço médio da planta indica o início da infestação.

Quais danos o bicudo-do-algodoeiro causa ao algodão?

O ataque reduz a produção porque provoca queda de estruturas reprodutivas, menor formação de capulhos, danos em fibras e sementes e perda de qualidade da pluma. As perdas podem chegar a cerca de 70% da produtividade.

Como controlar o bicudo-do-algodoeiro?

O controle exige manejo contínuo, com monitoramento desde a entressafra, eliminação de soqueiras e tigueras, entradas posicionadas conforme infestação, rotação de ativos e cumprimento do vazio sanitário. O resultado depende do momento de entrada e da execução no campo.

Qual é a melhor época para monitorar a praga?

O monitoramento precisa começar antes do plantio, mas o período mais crítico é quando surgem os botões florais, porque é nesse momento que a praga inicia a reprodução.

O manejo integrado ajuda a reduzir as novas infestações?

Sim. O manejo integrado organiza as ações ao longo da safra, reduz a população dentro da lavoura e limita a reinfestação entre ciclos.

Conteúdo revisado pelo validador técnico: Edivaldo Luiz Panini – Consultor de Desenvolvimento de Mercado e Produto na Alta Defensivos. 

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