Principais pragas da cana-de-açúcar: saiba como identificar, prevenir e combater

Principais pragas da cana-de-açúcar e como prevenir e controlar

Para combater as principais pragas da cana-de-açúcar, é preciso, antes de mais nada, saber quais são, já que elas podem comprometer o crescimento da planta, reduzir o teor de açúcar e causar prejuízos econômicos. Daí a importância de identificar e adotar estratégias eficazes para proteger a lavoura e manter a rentabilidade do cultivo.

Na safra 2023/2024, a produção brasileira de cana-de-açúcar atingiu um recorde de 713,2 milhões de toneladas, um crescimento de 16,8% em comparação com a safra anterior, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)

Apesar do sucesso do setor, o controle de pragas continua sendo um dos desafios mais críticos para assegurar a sustentabilidade e a competitividade da cultura.

Para ajudar você a entender e lidar com esse problema, preparamos um guia completo sobre as principais pragas da cana-de-açúcar. Além disso, disponibilizamos um infográfico exclusivo para facilitar a visualização das informações e auxiliar na tomada de decisão no manejo da sua lavoura. Boa leitura!

Principais pragas da cana-de-açúcar 

O cultivo da cana-de-açúcar está sujeito ao ataque de diversas pragas, desde insetos que comprometem a parte aérea da planta até aqueles que danificam as raízes e os colmos (caules). As infestações podem causar queda na produtividade, redução da longevidade do canavial e perdas na qualidade da matéria-prima.

Nos próximos tópicos, vamos apresentar as principais pragas da cana-de-açúcar, suas características e os danos que causam à lavoura. Conhecer esses detalhes é fundamental para evitar prejuízos no canavial.

Broca da Cana-de-Açúcar (Diatraea saccharalis)

A broca-da-cana é uma das pragas mais destrutivas da cultura da cana-de-açúcar e está presente em praticamente todas as regiões produtoras. 

Trata-se de um lepidóptero, ou seja, uma mariposa, cuja larva se alimenta diretamente do interior do colmo da planta. A infestação acontece quando a fêmea adulta deposita seus ovos na parte aérea do canavial, principalmente na superfície das folhas. Após a eclosão, as larvas começam a escavar galerias internas, comprometendo a circulação de nutrientes e reduzindo a qualidade da colheita.

Os principais danos causados pela broca são:

  • Redução do teor de açúcar na planta: diminui a eficiência da produção de etanol e açúcar;
  • Perda de peso dos colmos: impacta a produtividade da lavoura;
  • Morte das gemas: reduz o potencial de rebrota da cana e a sua longevidade;
  • Maior vulnerabilidade a doenças: fungos e bactérias encontram nas galerias abertas um ambiente propício para infecção.

A severidade dos danos varia de acordo com o nível de infestação e as condições climáticas. Regiões mais quentes e úmidas favorecem a proliferação da praga, tornando o monitoramento essencial para evitar perdas significativas.

Broca-Gigante (Castnia licus)

A broca-gigante é considerada ainda mais agressiva do que a broca-da-cana. É uma mariposa de grande porte que deposita seus ovos diretamente na base da planta ou nos colmos. Após a eclosão, as larvas perfuram profundamente os colmos e os rizomas, causando danos severos à estrutura da cana-de-açúcar.

Os prejuízos causados pela broca-gigante são:

  • Perfuração profunda nos colmos: compromete a estrutura e dificulta a absorção de água e nutrientes;
  • Redução da circulação de nutrientes e água: leva ao enfraquecimento da cultura e ao desenvolvimento irregular da planta;
  • Quebra e tombamento de colmos: impacta na colheita e na eficiência do corte mecanizado;
  • Maior suscetibilidade a patógenos: fungos e bactérias proliferam-se nos tecidos danificados e aceleram o apodrecimento da cana.

O ciclo da broca-gigante pode durar vários meses, e sua presença no canavial é geralmente percebida de forma tardia, quando os danos já são significativos. Por isso, o monitoramento e o manejo preventivo são fundamentais.

Cigarrinha-das-Raízes (Mahanarva fimbriolata)

A cigarrinha-das-raízes é uma praga que se torna particularmente problemática em períodos chuvosos, quando suas ninfas encontram condições ideais para se desenvolver. Esses insetos vivem na base da planta e se alimentam das raízes, prejudicando a absorção de nutrientes e água. 

Um dos sinais mais característicos da infestação é a presença de uma espuma esbranquiçada ao redor da base da planta, onde as ninfas se alojam para proteção.

Os principais danos causados pela cigarrinha-das-raízes são:

  • Necrose das raízes: compromete o crescimento da planta;
  • Amarelecimento das folhas: reduz a capacidade fotossintética e o desenvolvimento dos colmos;
  • Diminuição da produtividade: pode causar perdas de até 25% da safra;
  • Aumento do risco de infecção por fungos: com as feridas abertas na base da planta, a saúde do canavial fica comprometida.

O ciclo de vida da cigarrinha é curto, e sua reprodução ocorre rapidamente, o que pode levar a surtos populacionais em um pequeno espaço de tempo. O controle adequado inclui o manejo biológico e a adoção de práticas culturais que dificultem a proliferação da praga.

Cupins

Os cupins da cana-de-açúcar são pragas subterrâneas que atacam as raízes e os colmos, formando colônias que comprometem a longevidade da plantação. Eles se alimentam da celulose presente na planta, enfraquecem a estrutura da cana e comprometem sua produtividade.

Os danos causados pelos cupins são:

  • Redução da brotação: dificulta a regeneração da cana-soca e prejudica a longevidade do canavial;
  • Enfraquecimento estrutural da planta: torna os colmos mais frágeis e sujeitos a quebras;
  • Aumento da incidência de doenças: os ferimentos causados pelo ataque dos cupins facilitam a entrada de patógenos.

Os cupins são mais comuns em solos secos e arenosos, onde encontram condições favoráveis para construir seus ninhos. O manejo preventivo e o uso de defensivos adequados evitam perdas significativas.

Formigas Saúva (Atta capiguara)

As formigas saúvas são pragas conhecidas pelo alto potencial destrutivo. Elas cortam e transportam folhas para seus ninhos, onde cultivam um fungo do qual se alimentam. Essa atividade leva ao desfolhamento completo da planta em pouco tempo.

Veja algumas consequências do ataque da saúva:

  • Redução da capacidade fotossintética: compromete o crescimento e o desenvolvimento da cultura;
  • Diminuição na produção de açúcar e etanol: a perda de folhas impede a planta de armazenar energia;
  • Maior vulnerabilidade ao estresse hídrico: a cana perde parte de sua estrutura responsável pela regulação da transpiração.

Os ninhos das formigas saúvas costumam ser extensos e de difícil controle, exigindo monitoramento contínuo e o uso de iscas formicidas ou outros métodos específicos de manejo.

Bicudo da Cana-de-Açúcar (Sphenophorus levis)

O bicudo-da-cana é um besouro que ataca principalmente a base dos colmos e os rizomas, onde as larvas se alimentam do tecido vegetal. Esse comportamento destrói a planta de dentro para fora, dificultando a detecção precoce da infestação.

Os principais impactos do bicudo são:

  • Destruição da base dos colmos: prejudica o desenvolvimento da planta e sua capacidade de rebrota;
  • Redução na longevidade do canavial: força a renovação precoce da plantação e eleva os custos de produção;
  • Perdas na produtividade: a planta não consegue crescer e produzir.

O bicudo tem um ciclo de vida longo e pode permanecer na plantação por anos. O manejo integrado, aliado ao controle químico e biológico, é a melhor forma de manter a população da praga sob controle.

Leia também: Agronegócio 2025: novas tendências da tecnologia no campo.

Bônus: infográfico sobre as principais pragas da cana-de açúcar

Preparamos um infográfico que vai ajudar você a identificar e prevenir as pragas da cana-de-açúcar na sua lavoura. Salve este material! 

 Principais pragas da cana-de-açúcar e como prevenir e controlar



Estratégias de prevenção e controle das principais pragas da cana-de-açúcar

Agora que você já conhece as principais pragas da cana-de-açúcar, vamos abordar as melhores formas de controle para proteger sua lavoura.

Uso de defensivos agrícolas

O controle químico é uma das estratégias mais eficazes para combater pragas e plantas daninhas na cana-de-açúcar. O uso de defensivos agrícolas específicos ajuda a proteger a cultura ao longo de todo o ciclo, evitando perdas de produtividade causadas por competição com plantas invasoras, ataques de insetos e doenças fúngicas.

Dois produtos fundamentais nesse manejo são o Verace e o Ciprian, que atuam em momentos estratégicos do cultivo:

  • Verace (Flumioxazina): herbicida seletivo que atua na pré-emergência da cultura, impedindo o crescimento de plantas daninhas logo no início do ciclo da cana. Seu uso evita a competição por nutrientes, água e luz, favorecendo um desenvolvimento uniforme da lavoura;
  • Ciprian (Trinexapaque-etílico): maturador que otimiza o teor de sacarose, promove uma colheita mais eficiente e aumenta a qualidade e o rendimento da cana. O produto também favorece a estrutura da planta, reduzindo o crescimento excessivo e melhorando a colheita mecanizada.

O uso de defensivos agrícolas assegura proteção contra ameaças que comprometem a produtividade e asseguram um cultivo mais eficiente e economicamente viável.

Outros tipos de prevenção além dos defensivos

Embora os defensivos agrícolas sejam essenciais no manejo da cana-de-açúcar, a adoção de estratégias complementares contribui para um controle mais sustentável e reduz a dependência exclusiva dos produtos químicos

Entre as principais práticas preventivas, destacam-se:

  • Monitoramento da lavoura: a inspeção frequente da plantação possibilita a identificação de surtos de pragas e doenças precocemente, para ações rápidas e mais eficazes antes que o problema se alastre;
  • Rotação de culturas: alternar a cana com outras culturas reduz a pressão de pragas no solo, quebra o ciclo de reprodução de insetos e patógenos e favorece a saúde da plantação;
  • Eliminação de restos culturais: resíduos da colheita servem como abrigo para insetos, fungos e bactérias, aumentando os riscos de novas infestações. A remoção adequada desses restos reduz a proliferação de pragas;
  • Uso de variedades resistentes: optar por cultivares que apresentam maior tolerância a pragas e doenças é uma forma eficiente de diminuir as perdas na lavoura e reduzir a necessidade de aplicações frequentes de defensivos.

A integração dessas práticas promove um manejo sustentável e equilibrado, otimiza os custos de produção e faz com que a cana-de-açúcar se desenvolva com saúde e alto potencial produtivo.

Manejo para uma lavoura mais produtiva

O controle eficiente de pragas começa com a adoção de estratégias de manejo integrado, que unem produtos fitossanitários e boas práticas de cultivo para minimizar os impactos das infestações.

O uso correto de defensivos, como Verace e Ciprian, auxilia no controle das pragas, contribuindo para a saúde e produtividade da lavoura.

Por isso, se você busca uma cana-de-açúcar mais resistente e produtiva, conheça as soluções da Alta Defensivos e proteja a sua lavoura!

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