Saiba quais são as pragas do café que mais causam prejuízos no campo

O manejo fitossanitário é um dos pilares da rentabilidade na cafeicultura. Se o controle de insetos falha, a produtividade e a qualidade do grão rapidamente são afetadas. As pragas do café interferem no enchimento, aumentam os defeitos na classificação e reduzem o valor comercial.  

Os números da Safra 2026 divulgados no 1º Levantamento da Conab demonstram expansão da produção, com estimativa de 66,2 milhões de sacas e crescimento de 17,1% em relação ao ciclo anterior.  

O avanço da bienalidade positiva, a entrada de novas áreas e o uso crescente de tecnologias elevam o potencial produtivo. No entanto, esse crescimento exige maior disciplina no manejo. Quanto maior o teto produtivo, maior precisa ser a eficiência no controle de perdas causadas por insetos.

Por isso, hoje vamos aprofundar o tema das pragas do café com foco nas ocorrências que mais desafiam o produtor. Você vai conhecer o comportamento da broca do café e de outras espécies relevantes no campo e saber como proteger a sua lavoura. 

Quais são as principais pragas do café?

A pressão de insetos na cafeicultura não é uniforme ao longo do ano. Cada praga tem dinâmica própria, ciclo específico e momento crítico de ataque. 

O produtor que entende essa biologia consegue estruturar o manejo com antecedência e reduzir a dependência de intervenções emergenciais. Veja quais são os principais agentes de dano no cafeeiro:

Broca-do-café (Hypothenemus hampei)

A broca-do-café é um coleóptero que completa o seu desenvolvimento praticamente todo no interior do fruto, característica que explica a dificuldade de controle e o alto potencial de permanência na lavoura. 

Diferente da falsa broca, que se limita à polpa seca, a broca verdadeira perfura a semente e prejudica diretamente a amêndoa, que é o produto comercial.

A fêmea adulta, de aproximadamente 1,6 mm, é responsável pela dispersão, pois possui asas funcionais. O macho é menor, não voa e permanece dentro do grão onde nasceu. Após a perfuração, geralmente na região da coroa, a fêmea constrói uma galeria até atingir a semente e ali forma a chamada câmara de postura.

A oviposição ocorre apenas quando a semente apresenta a consistência adequada. Frutos muito jovens, ainda com conteúdo aquoso, podem ser perfurados, mas são abandonados sem postura. A partir do momento em que a semente endurece, a fêmea inicia a deposição dos ovos dentro da câmara construída.

Broca-do-café (Hypothenemus hampei)

O ciclo completo, da postura à emergência do adulto, leva de 22 a 32 dias em condições próximas a 27 °C, podendo se estender conforme as variações ambientais. As temperaturas mais elevadas encurtam o desenvolvimento e aumentam o número de gerações ao longo da safra.

A incidência tende a crescer com o amadurecimento dos frutos, período em que há maior proporção de adultos e intensificação da colonização. 

Os grãos remanescentes na planta ou no solo funcionam como abrigo na entressafra e servem como ponto de partida para a nova infestação, o que reforça o papel decisivo da colheita bem executada e do repasse.

Bicho-mineiro-do-café (Leucoptera coffeella)

O bicho-mineiro é uma mariposa e suas lagartas atacam exclusivamente o cafeeiro, representando uma das principais pragas do café na parte foliar. 

O dano acontece na fase larval, quando a fêmea deposita os ovos na face superior das folhas e, após a eclosão, a lagarta penetra no tecido foliar e se desenvolve entre as duas epidermes, formando as chamadas minas.

Essas galerias limitam a área fotossintética ativa da planta e afetam a produção de energia necessária para o enchimento das cerejas. Em infestações severas, ocorre desfolha intensa, redução do peso dos grãos e impacto tanto na safra atual quanto na seguinte. As lavouras mais jovens apresentam maior sensibilidade, pois possuem menor área foliar para a compensação da perda.

O tempo de desenvolvimento varia conforme as condições climáticas e pode durar de 19 a 80 dias. O aumento da população é favorecido com temperaturas elevadas e baixa umidade, assim como plantios muito espaçados e áreas com maior incidência solar.

O uso de inseticida para bicho-mineiro do café deve considerar o nível de ação, definido pela porcentagem de folhas com minas ativas e pela presença de lagartas vivas

Cigarra-do-cafeeiro (Quesada spp., Fidicina spp. e Carineta spp.)

A cigarra-do-cafeeiro é uma praga de solo e o principal dano ocorre na fase de ninfa. Após a postura dos ovos nos ramos, as ninfas eclodem, caem no solo e se alimentam da seiva das raízes por um longo período.

O estágio subterrâneo pode durar até dois anos, prejudicando gradualmente a absorção de água e nutrientes. A planta perde vigor, apresenta clorose, desfolha e redução da produtividade, normalmente em forma de reboleiras.

Em níveis elevados de infestação, a lavoura registra queda expressiva de produtividade e, em situações mais severas, ocorre a morte de plantas.

Quando há histórico de ocorrência na área, o monitoramento preventivo deve fazer parte da rotina da lavoura ao longo de todo o ciclo produtivo. 

A presença de exúvias (restos do exoesqueleto) e de pequenos orifícios no solo, próximos à saia do cafeeiro, indica atividade das ninfas no sistema radicular. Os sintomas na parte aérea surgem somente quando o comprometimento das raízes já está avançado.

Ácaro-vermelho (Oligonychus ilicis), Ácaro-branco (Polyphagotarsonemus latus) e Ácaro da leprose ou Mancha anular (Brevipalpus phoenicis)

O ácaro-vermelho se instala na face superior das folhas, provoca bronzeamento progressivo e diminui a atividade fotossintética da planta. A menor capacidade de fotossíntese compromete o enchimento e, quando a pressão populacional é alta, ocorre desfolha e perda de vigor produtivo.

O ácaro-branco se concentra em folhas novas e ponteiras, causando deformações, encarquilhamento e redução do crescimento vegetativo. As lavouras mais jovens tendem a apresentar maior sensibilidade ao ataque.

O ciclo é curto e a multiplicação é rápida sob estresse hídrico. O manejo exige inspeção frequente e escolha criteriosa de produtos, com rotação de mecanismos de ação para preservar a eficiência do controle ao longo das safras.

Ácaro da Leprose ou da Mancha Anular (Brevipalpus phoenicis)

Atua como vetor do vírus da leprose. Causa manchas necróticas marrons com halos amarelados em folhas e frutos, resultando em queda prematura e seca de ramos. 

Cochonilhas

As cochonilhas são insetos sugadores da ordem Hemiptera que se instalam em ramos, botões florais e frutos. Elas retiram continuamente a seiva da planta, provocando enfraquecimento, redução do vigor e queda prematura de estruturas reprodutivas.

Durante a alimentação, elas liberam uma secreção açucarada que favorece o desenvolvimento de fumagina, interferindo na capacidade fotossintética e na qualidade dos grãos. A presença de formigas intensifica o problema, pois esses insetos protegem as colônias em troca da secreção liberada.

A praga avança com maior intensidade em períodos de estiagem prolongada, especialmente quando a lavoura apresenta desequilíbrio nutricional ou estresse hídrico. Nessas condições, a multiplicação é acelerada e eleva rapidamente a pressão sobre a área foliar. 

É indispensável fazer o acompanhamento da população, intervir no momento correto e escolher as ferramentas de controle adequadas, preservando o equilíbrio biológico da lavoura.

Leia também: 8 doenças do café que todo produtor precisa conhecer.

Por que a broca-do-café é a praga mais preocupante?

A broca-do-café, que tem origem africana, foi descrita em 1867 e, ao longo do século XX, consolidou-se como uma das principais ameaças à cafeicultura mundial. Sua rápida disseminação em regiões tropicais esteve sempre associada a dois fatores: clima favorável e disponibilidade contínua de cerejas aptas à oviposição.

No Brasil, sua introdução ocorreu em 1913, associada à entrada de sementes contaminadas. Em 1924 já eram observados prejuízos econômicos, e nas décadas seguintes a praga se disseminou rapidamente pelas principais regiões cafeeiras do país. 

O que diferencia a broca das demais pragas é a natureza do dano. Mais do que afetar a fisiologia da planta, ela atinge o grão em formação. As larvas se alimentam da amêndoa e podem destruir grande parte do conteúdo interno da semente. O processo limita o rendimento no beneficiamento e altera a tipificação do lote.

A literatura técnica aponta que cinco grãos brocados já caracterizam defeito na classificação física. Em condições de alto nível de ataque, o comprometimento do peso e da qualidade atinge níveis superiores a 30%, patamar altamente prejudicial à produtividade e à qualidade final.

Além do dano estrutural, o orifício de entrada funciona como porta para microrganismos, favorecendo a deterioração e a alteração da bebida. Os frutos perfurados podem apresentar maturação forçada, queda prematura e inviabilidade para a produção de sementes.

A broca preocupa porque reúne três fatores críticos para a rentabilidade:

  • Comprometimento do rendimento final no beneficiamento;
  • Desvalorização na classificação comercial;
  • Capacidade de multiplicação acelerada sob temperatura elevada.

Ciclo da broca-do-café

A broca-do-café passa pelas fases de ovo, larva, pupa e adulto, e praticamente todo esse desenvolvimento fica protegido no interior do fruto.

A duração dessas fases varia conforme a temperatura e a umidade, mas, em condições favoráveis, o intervalo entre a postura e a emergência de novos adultos é relativamente curto. Dentro de uma mesma safra, várias gerações podem se sobrepor, ampliando a pressão se não houver acompanhamento técnico e o devido controle. 

Para facilitar a visualização dessas etapas e destacar os momentos de intervenção, preparamos um infográfico detalhando cada fase do desenvolvimento da praga e os pontos críticos para o manejo: 

Estratégias de manejo integrado de pragas no café

O controle eficiente das pragas do café exige estratégia ao longo de toda a safra. O manejo integrado organiza essa condução técnica por meio de monitoramento contínuo, manejo cultural consistente e uso criterioso de inseticidas.

Monitoramento como ponto de partida

Nenhuma decisão técnica deve ser tomada sem diagnóstico. Para definir o momento correto da intervenção, é preciso:

  • Avaliar a porcentagem de grãos atacados pela broca;
  • Quantificar folhas com minas ativas no caso do bicho-mineiro;
  • Observar sintomas de reboleiras associadas à cigarra;
  • Identificar a presença de ácaros em folhas novas e maduras;
  • Verificar focos de cochonilhas em ramos e frutos.

O diagnóstico envolve acompanhar a evolução populacional, relacionar os dados às condições climáticas e definir a intervenção com base em nível de ação.

Manejo cultural e equilíbrio da lavoura

O manejo cultural envolve decisões agronômicas que reduzem o ambiente favorável às pragas. São práticas que influenciam a sobrevivência e a multiplicação dos insetos ao longo do ciclo:

  • Colheita bem executada e repasse criterioso: diminui os frutos remanescentes que mantêm a população da broca ativa na entressafra;
  • Equilíbrio nutricional da lavoura: fortalece a planta e diminui a sensibilidade ao ataque de ácaros, cochonilhas e bicho-mineiro;
  • Espaçamento e luminosidade adequados: ajustam o microclima da área e dificultam a multiplicação de determinadas espécies;
  • Eliminação de plantas debilitadas e condução de áreas com histórico da praga: exclui focos persistentes, como no caso da cigarra. 

Uso estratégico de inseticida para café

A aplicação do inseticida para café deve considerar o comportamento da praga, o estágio de desenvolvimento e o momento de maior exposição do inseto:

  • Posicionar o inseticida para broca-do-café quando houver presença de fêmeas em trânsito, antes da penetração definitiva e do início da postura;
  • Aplicar o inseticida para bicho-mineiro do café com minas ativas e lagartas vivas, fase em que o inseto está em alimentação e mais suscetível ao controle;
  • Selecionar produtos com ação específica para pragas sugadoras e ácaros, considerando o local de infestação na planta e a necessidade de boa distribuição;
  • Respeitar o nível de comprometimento observado antes de definir a intervenção;
  • Realizar a rotação de mecanismos de ação para minimizar a pressão de seleção e preservar a eficiência das moléculas ao longo das safras. 

Planejamento antes do pico de infestação

O aumento da população das pragas do café responde a condições climáticas, estágio fenológico da planta e disponibilidade de alimento.

No planejamento técnico, é importante considerar:

  • Temperaturas elevadas;
  • Períodos secos e estresse hídrico;
  • Fase de enchimento e maturação dos frutos;
  • Lavouras adensadas ou com microclima mais úmido;
  • Histórico da área na safra anterior.

Antecipar esses fatores permite ajustar o diagnóstico, programar intervenções no momento mais adequado e prevenir danos.

Conte com a Alta para fortalecer o manejo do café

A rentabilidade da cafeicultura está diretamente ligada à eficiência no controle das pragas do café. Cada decisão tomada no campo influencia o rendimento da saca, a classificação do lote e a valorização do produto.

A Alta Defensivos atua como parceira técnica do produtor, com soluções que se integram ao manejo da lavoura e apoiam a intervenção das espécies com tecnologia e consistência agronômica.

Entre as soluções, destacam-se:

Briva

Inseticida de contato e ingestão, com amplo espectro de ação, indicado para pulverizações foliares e contenção de pragas da parte aérea.

Atua no controle de:

  • Broca-do-café (Hypothenemus hampei);
  • Bicho-mineiro-do-café (Leucoptera coffeella);
  • Cochonilha-de-roseta (Planococcus minor).

Saggio

Inseticida sistêmico de contato e ingestão, com ação rápida e residual, indicado para pragas sugadoras, mastigadoras e ácaros.

Posicionado para o combate de:

  • Ácaro-vermelho (Oligonychus ilicis);
  • Bicho-mineiro-do-café (Leucoptera coffeella);
  • Broca-do-café (Hypothenemus hampei).

Taus

Inseticida sistêmico do grupo dos neonicotinóides, com ação de contato e ingestão, indicado para diferentes momentos do manejo.

Desenvolvido para o manejo de:

  • Bicho-mineiro-do-café (Leucoptera coffeella);
  • Cigarra-do-cafeeiro (Quesada gigas);
  • Mosca-das-raízes (Chiromysa vittata).

Vilora 

É um acaricida não sistêmico do grupo químico cetoenol. Recomendado para o controle e manejo:

O uso técnico dessas soluções, sempre com recomendação e acompanhamento profissional, fortalece a ação fitossanitária, previne as perdas no beneficiamento e preserva o potencial produtivo da lavoura. Conheça todas as soluções da Alta em inseticidas para café

Perguntas frequentes sobre pragas do café

As dúvidas sobre as pragas do café são comuns porque o comportamento das espécies muda conforme o clima, o estádio da lavoura e o histórico da área. Abaixo, respondemos às perguntas mais recorrentes sobre o assunto:

Qual é a maior praga do cafeeiro?

A broca-do-café é considerada a praga de maior impacto econômico, pois atinge diretamente a amêndoa e compromete o rendimento no beneficiamento e a classificação do lote. 

Outras espécies, como bicho-mineiro, cigarra e ácaros, também causam prejuízos relevantes, sobretudo quando o manejo não é realizado preventivamente.

Quando devo iniciar o controle das pragas do café?

A intervenção deve começar com a inspeção antes do aumento populacional. No caso da broca, a atenção deve se intensificar a partir do desenvolvimento e enchimento dos frutos. 

Para pragas foliares, como bicho-mineiro e ácaros, o acompanhamento precisa ser feito desde o início do ciclo vegetativo.

Como saber o nível de infestação das pragas do café?

A avaliação envolve amostragem de frutos, folhas e áreas da lavoura:

  • Para a broca, calcula-se o percentual de frutos perfurados;
  • Para o bicho-mineiro, observa-se a presença de minas ativas com lagartas vivas. 

A decisão de intervenção precisa considerar o nível de ação técnica e o histórico da área.

Inseticidas são eficazes contra as pragas do café?

Sim, desde que escolhidos corretamente e posicionados no momento adequado. O inseticida para café precisa estar alinhado à praga-alvo, ao estádio de desenvolvimento do inseto e às condições da lavoura. O uso deve sempre seguir recomendação agronômica.

O controle biológico funciona para as pragas do café?

O controle biológico pode integrar o manejo, especialmente em sistemas que buscam equilíbrio ambiental. 

Fungos entomopatogênicos e inimigos naturais auxiliam na redução populacional, mas o resultado depende de condições climáticas favoráveis e monitoramento contínuo. 

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