Como plantar milho safrinha? Dicas para ter sucesso na lavoura

Como plantar milho safrinha? Dicas para ter sucesso na lavoura

Quem planta soja já sabe que o milho safrinha é a chance de aproveitar a mesma área e colher mais uma renda na mesma safra. É uma estratégia inteligente, que vem ganhando força justamente porque o produtor consegue usar a estrutura já montada, o solo já manejado e, com o clima ajudando, ainda tira uma boa produtividade. 

Mas, claro, não basta só entrar com o milho depois da soja. Tem que planejar bem. E isso começa agora, entre janeiro e fevereiro, quando a janela de plantio começa a se abrir. 

Pensando nisso, preparamos este conteúdo para ajudar você a organizar a sua próxima safrinha do jeito certo. Aqui a gente vai falar de tudo: como escolher a semente ideal, qual o melhor momento para plantar, como cuidar da nutrição do solo, quais pragas e doenças merecem atenção e quando colher. 

Também vamos mostrar como adaptar tudo isso quando a soja atrasa e apresentar um infográfico exclusivo com o calendário completo do ciclo do milho safrinha. Tudo para que você possa produzir mais, com menos risco e ter uma colheita de qualidade. Vamos em frente?

O que é milho safrinha?

O milho safrinha, também conhecido como milho segunda safra, é cultivado logo após a colheita da cultura de verão, geralmente a soja. É uma alternativa estratégica que aproveita a mesma área e estrutura da safra principal, gerando uma nova oportunidade de renda para o produtor.

Essa segunda safra de milho acontece em um período de menor volume de chuvas e maior risco climático, o que exige atenção redobrada no planejamento. 

Mesmo assim, com o uso de sementes adequadas, manejo correto e tecnologia no campo, o milho safrinha vem mostrando um potencial produtivo cada vez maior, superando até as expectativas iniciais em muitas regiões do Brasil.

Mas, para colher bons resultados, é preciso conhecer bem o ciclo dessa cultura e fazer as escolhas certas desde o início. Vamos entender melhor essas diferenças?

Safra e safrinha: entenda as diferenças

Muita gente confunde, mas para um bom planejamento da lavoura, é importante conhecer a diferença entre milho safra e milho safrinha. A principal distinção está na época de plantio, que influencia diretamente no ciclo da cultura, nas condições climáticas enfrentadas e na produtividade esperada.

A primeira safra do milho acontece durante o verão, com plantio entre setembro e dezembro, aproveitando o pico das chuvas e das temperaturas elevadas. É uma época de alta luminosidade, ideal para o desenvolvimento da planta. 

A segunda safra de milho é semeada logo após a colheita da soja, entre janeiro e abril, em condições de menor chuva e com risco maior de seca ou geada no final do ciclo. 

Mesmo com essas limitações, o milho de segunda safra é o principal responsável pela produção nacional do grão. E o 3º Levantamento da Safra de Grãos 2025/2026 da CONAB confirma esse  potencial: 

  • Milho primeira safra (2025/26):
    • Área cultivada: 4.043,1 mil ha;
    • Produtividade média: 6.408 kg/ha;
    • Produção estimada: 25.907,0 mil toneladas.
  • Milho segunda safra (2025/26):
    • Área cultivada: 18.092,7 mil ha;
    • Produtividade média: 6.105 kg/ha;
    • Produção estimada: 110.461,0 mil toneladas.

Com uma área cultivada mais de quatro vezes maior e produção que supera em muito a da safra principal, fica claro que o milho safrinha não é só uma “segunda chance”, ele é protagonista em muitas regiões produtoras do Brasil.

Confira como é o ciclo do milho safrinha

O sucesso do milho safrinha começa com o entendimento da janela de plantio, que varia bastante de acordo com a região do país e o tempo da colheita da safra de verão.

A janela de plantio do milho safrinha vai, em geral, de janeiro a março, podendo se estender até abril em algumas áreas. É recomendado semear o quanto antes após a colheita da soja, para aproveitar ao máximo a umidade residual no solo e reduzir riscos como a seca no enchimento dos grãos ou a geada tardia.

Entenda como a janela pode mudar conforme a região:

  • Centro-Oeste: de meados de janeiro a meados de fevereiro (atenção ao risco de estresse hídrico no final do ciclo);
  • Paraná: de final de janeiro a final de fevereiro (risco de geadas e estresse hídrico tardio);
  • Sudeste (São Paulo e Minas Gerais): de final de janeiro a final de fevereiro (atenção especial a geadas e veranicos).

Quanto antes o milho for plantado dentro da janela ideal, maiores são as chances de produtividade e menores os riscos climáticos. É por isso que o agricultor precisa estar com sementes, maquinário e insumos prontos antes mesmo da colheita da soja.

Para te ajudar a se planejar com mais precisão, confira o nosso infográfico com as janelas ideais de plantio do milho safrinha nas principais regiões produtoras do Brasil. 

Como plantar milho safrinha? Dicas para ter sucesso na lavoura

Para ter uma safrinha de milho produtiva é preciso ter atenção aos detalhes, desde a escolha das sementes até a preparação do solo e do maquinário. Como o plantio geralmente ocorre em uma janela mais curta e sob maior risco climático, o planejamento faz toda a diferença.

A seguir, você confere os pilares para o sucesso do plantio do milho safrinha:

Escolha sementes de qualidade e faça o manejo preventivo de doenças

O milho de segunda safra enfrenta maior pressão de pragas e doenças, além de umidade mais limitada. Por isso, é essencial optar por sementes de qualidade, com genética adaptada à realidade da safrinha.

Busque híbridos com:

  • Boa rusticidade;
  • Tolerância a doenças comuns;
  • Eficiência no uso da água;
  • Bom desempenho sob estresse hídrico.

De acordo com Tiago de Sá Cardoso – Engenheiro Agrônomo e Gerente de Marketing, Portfólio e Desenvolvimento de Mercado da Alta Defensivos, “para um melhor desempenho da lavoura, é fundamental selecionar híbridos adaptados à região, com boa tolerância ao estresse hídrico e resistência a pragas e doenças, como a cigarrinha-do-milho”.

Ele reforça que “o planejamento é a base de qualquer safra bem-sucedida. Com a abertura de uma nova janela agrícola, é hora de alinhar estratégias e reforçar práticas essenciais para o desempenho no campo”.

Tratamento de sementes e controle de doenças

As sementes também são uma das principais vias de entrada de patógenos. Por isso, o tratamento adequado é uma etapa crítica para proteger a lavoura nas fases iniciais.

O tratamento de sementes é uma prática essencial para a proteção contra fungos de solo e para a redução de perdas associadas a patógenos presentes na própria semente”, explica o gerente.

O manejo preventivo das doenças fúngicas foliares também é indispensável para ter estabilidade produtiva. “Quando não são manejadas adequadamente, as doenças foliares podem resultar em perdas significativas de produtividade”, alerta Tiago.

As principais doenças da safrinha incluem:

  • Mancha de Bipolaris (Bipolaris maydis);
  • Cercosporiose (Cercospora zeae-maydis);
  • Ferrugem polissora (Puccinia polysora);
  • Mancha branca (Phaeosphaeria maydis).

Fique atento à janela de plantio do milho safrinha e prepare a área

A janela de plantio do milho safrinha é estreita e varia de acordo com a região e o calendário da colheita da soja. Quanto antes for possível entrar com o milho após a soja, melhor será o aproveitamento da umidade residual do solo.

Outro ponto-chave é o preparo da área. A palhada da soja deve estar bem distribuída para não ter falhas na semeadura. O solo precisa estar corrigido, nivelado e sem compactação.

Então, antes de semear, confira:

  • A distribuição da palhada;
  • A condição física do solo;
  • A presença de compactação;
  • Se a área está livre de resíduos que atrapalhem o arranque inicial do milho.

Tiago destaca que “a cultura antecessora tem papel decisivo na segunda safra. O uso de cultivares de soja de ciclo precoce contribui para a liberação antecipada da área, favorecendo o plantio do milho dentro da janela ideal e reduzindo riscos climáticos, como estresse hídrico, veranicos e geadas”.

Planeje a nutrição, adubação e manejo cultural

O milho safrinha entra no campo em uma terra que já foi explorada pela soja. Por isso, o planejamento da adubação e nutrição da lavoura deve considerar os nutrientes remanescentes e os que já foram consumidos.

É recomendado realizar uma análise de solo atualizada e montar uma estratégia que envolva:

  • Adubação de base equilibrada, considerando fósforo, potássio e enxofre;
  • Adubação de cobertura com nitrogênio, ajustada ao potencial produtivo;
  • Aplicação de micronutrientes, especialmente boro e zinco.

A implantação do milho safrinha ocorre no final do período chuvoso, exigindo práticas de manejo que favoreçam a retenção e a disponibilidade de água no solo”, explica Tiago. “Sempre que possível, o sistema de plantio direto (SPD) deve ser priorizado, pois melhora a eficiência operacional, aumenta a infiltração de água e preserva a umidade do solo, fatores-chave para o desenvolvimento da cultura”.

Prepare suas máquinas e equipamentos com antecedência

Na safrinha do milho, o tempo joga contra o agricultor. Por isso, máquinas e equipamentos devem estar prontos antes mesmo da colheita da soja.

A semeadora precisa estar regulada para garantir:

  • Profundidade correta de semeadura (entre 4 e 6 cm, conforme a umidade);
  • Densidade adequada de plantas, ajustada ao híbrido e ao ambiente;
  • Pressão uniforme nas linhas, principalmente em solos com palhada.

A precisão no plantio exerce forte impacto sobre a produtividade, podendo representar até 50% do resultado final. Por isso, é essencial trabalhar com velocidade adequada (4 a 6 km/h) e garantir um estande uniforme desde a implantação”, reforça Tiago. 

Controle plantas daninhas, pragas e doenças desde o início

Entre os estágios V2 e V8, o milho define seu potencial produtivo. Nessa fase, qualquer interferência pode comprometer o desempenho da lavoura.

Para o engenheiro agrônomo Tiago, “a sucessão soja/milho aumenta a pressão de pragas como o percevejo-barriga-verde e a lagarta-do-cartucho, associadas ao sistema. Já a cigarrinha-do-milho, embora não tenha origem na soja, encontra nesse ambiente condições favoráveis e é hoje a principal praga da cultura, tornando essencial o monitoramento constante”.

Ele também recomenda atenção especial à matocompetição e indica a “A dessecação pré-plantio contribui para o controle de plantas daninhas, reduzindo a concorrência por recursos e os abrigos para pragas. A adoção de pré-emergentes é estratégica para evitar a seleção de biótipos resistentes”.

Cuide da colheita e do armazenamento

A colheita do milho safrinha deve ser realizada quando os grãos atingem umidade entre 18% e 25%, faixa ideal para garantir eficiência e evitar danos mecânicos.

Porém, antes de iniciar, é preciso revisar e regular a colhedora com base nas condições da lavoura:

  • Ajuste do rotor e das peneiras para reduzir a quebra de grãos;
  • Velocidade de avanço compatível com o volume de material;
  • Checagem das plataformas para minimizar perdas por espiga inteira ou debulha inadequada.

Após a colheita, o cuidado continua com o armazenamento. Grãos com alta umidade devem passar por secagem imediata para impedir o desenvolvimento de fungos e micotoxinas. O armazenamento deve ser feito em estruturas limpas, ventiladas e com controle de temperatura e umidade.

Como calcular a área de plantio do milho safrinha?

Na hora de planejar o plantio do milho safrinha, uma das perguntas mais comuns é: “quantos hectares consigo plantar com a estrutura que tenho?”

Esse cálculo é indispensável para não ultrapassar a janela ideal e assegurar que todo o milho seja semeado dentro do período mais seguro. Então você precisa considerar fatores como:

  • Sua capacidade operacional diária (quantos hectares consegue semear por dia);
  • O número de dias úteis dentro da janela de plantio do milho safrinha na sua região;
  • A logística de máquinas, insumos e equipes.

Quer aprender como fazer esse cálculo na prática? Nós temos um conteúdo completo explicando como calcular a produção de milho por hectare, que também te ajuda a estimar o rendimento esperado e fazer um bom planejamento. Clique aqui para acessar esse guia prático e aprofundado.

Como adaptar o plantio de milho safrinha após a colheita da soja

Quando a safra de verão termina, começa uma corrida contra o tempo. O milho safrinha precisa entrar logo no solo para aproveitar a umidade deixada pela soja e não estourar a janela ideal de plantio.

A seguir, você confere sete passos práticos para adaptar o plantio do milho safrinha após a soja:

1. Aproveite ao máximo a umidade residual

Assim que a colheita da soja termina, o solo ainda guarda uma quantidade importante de umidade. E é essa água residual que dá o primeiro impulso para o milho germinar com força.

Quanto mais rápido você conseguir entrar com a semeadura, menor a chance de perder essa umidade. Se o solo secar, além de comprometer a germinação, o arranque inicial do milho fica mais lento e irregular. O ideal é ter o maquinário e os insumos prontos antes da soja sair do campo.

2. Cuide bem da palhada e dos resíduos da soja

A soja deixa uma palhada fina, que ajuda a proteger o solo da evaporação e reduz a infestação de plantas daninhas. Mas se ela estiver mal distribuída, pode virar um problema.

Palhada acumulada em alguns pontos e ausência em outros interfere na profundidade da semeadura e na emergência uniforme do milho. O segredo aqui é usar um bom espalhador na colhedora e, se necessário, nivelar a área com implementos antes da semeadura.

3. Ajuste seu maquinário 

O solo recém-colhido de soja é diferente: está mais solto e cheio de resíduos. Por isso, a semeadora precisa estar regulada com precisão

  • Ajuste a pressão das linhas de semeadura para ter boa penetração no solo;
  • Cheque a profundidade de deposição das sementes — nem muito rasa, nem muito funda;
  • Reduza a velocidade de operação, principalmente em áreas com muita palhada.

Esses cuidados contribuem para uma emergência mais homogênea e para um bom desempenho final da lavoura.

4. Faça uma adubação equilibrada

Muita gente pensa que, por a soja fixar nitrogênio, já está tudo certo para o milho. Mas não é bem assim. A fixação biológica feita pela soja ajuda, mas não cobre toda a necessidade nutricional do milho, que é uma cultura exigente.

A recomendação é:

  • Faça uma boa análise de solo para saber exatamente o que está faltando;
  • Corrija o nitrogênio, principalmente em cobertura;
  • Verifique o potássio, enxofre e micronutrientes, pois a soja pode ter esgotado parte desses elementos no solo.

Uma adubação equilibrada é fundamental para sustentar o milho até o enchimento dos grãos.

5. Escolha híbridos compatíveis 

O relógio corre mais rápido na safrinha. Por isso, você precisa escolher sementes de milho safrinha que respondam bem ao tempo curto e às possíveis adversidades climáticas.

Procure por híbridos:

  • Precoces ou superprecoces, com ciclos mais curtos;
  • Tolerantes a doenças, como ferrugens e cercospora;
  • Eficientes no uso da água, para ter produção mesmo com menos chuva.

6. Reduza ao máximo o intervalo entre colheita e plantio

Cada dia de atraso entre a saída da soja e a entrada do milho significa mais risco. A janela fecha rápido e a produtividade pode cair bastante se o milho entrar fora de época.

Então, planeje com antecedência:

  • Deixe os insumos já na propriedade;
  • Tenha as máquinas revisadas e reguladas;
  • Monte uma logística eficiente para não perder tempo com transporte ou abastecimento.

A sincronia entre colheita e plantio é o eixo do sistema soja-milho safrinha.

7. Intensifique o monitoramento nos primeiros dias

Logo nos primeiros dias após a emergência, o milho está mais vulnerável. E o que muita gente esquece é que as pragas da soja podem migrar para o milho.

Fique atento, especialmente a:

Monitore desde o início e, se necessário, faça aplicações com inseticidas seletivos, mas sempre com orientação técnica.

Doenças do milho safrinha: conheça as principais

Mesmo com uma lavoura bem implantada, o milho safrinha ainda enfrenta um dos maiores desafios da segunda safra: o manejo de doenças

O plantio acontece em um período com menor volume de chuvas, mas ainda com temperaturas elevadas e alta umidade residual, que são condições ideais para o desenvolvimento de fungos e outros patógenos.

A sucessão com a soja e a presença de palhada também podem aumentar a pressão de inóculo no solo e no ambiente. Por isso, conhecer as doenças do milho safrinha e agir no momento certo é o que separa uma lavoura produtiva de uma com perdas severas.

Mancha branca

Uma das doenças mais recorrentes no milho safrinha, a mancha branca é causada por um complexo entre o fungo Phaeosphaeria maydis e a bactéria Pantoea ananatis

O problema começa com manchas pequenas e arredondadas nas folhas inferiores, que evoluem para lesões grandes, brancas e com bordas escuras, comprometendo a fotossíntese.

Ela avança rápido, especialmente em ambientes com alta umidade e calor. Para o controle, é indicado associar o uso de híbridos resistentes, rotação de culturas e aplicação preventiva de fungicidas sistêmicos, como estrobilurinas.

Ferrugem polisora

Causada pelo fungo Puccinia polysora, a ferrugem polisora é conhecida por ser altamente destrutiva. Ela aparece como pústulas amarelas ou marrons, que se espalham das folhas para pendões e bainhas, provocando senescência precoce e quebra de produtividade.

As condições da safrinha favorecem a doença. O manejo eficaz envolve o uso de híbridos tolerantes, plantio dentro da janela ideal e aplicação de fungicidas sistêmicos no início dos sintomas.

Ferrugem branca

Menos falada, mas cada vez mais presente, a ferrugem branca (Physopella zeae) também encontra no milho safrinha um ambiente ideal. Ela forma pústulas pequenas, amareladas e alinhadas às nervuras das folhas, causando redução significativa da área fotossintética.

O controle passa por estratégias já conhecidas: híbridos resistentes, fungicidas adequados e atenção à época de plantio. Quanto mais cedo o agricultor agir, menor o prejuízo.

Cercosporiose

A cercosporiose do milho safrinha é provocada pelo fungo Cercospora zeae-maydis e começa com lesões retangulares, marrons ou acinzentadas, que aparecem nas folhas inferiores e logo se espalham.

A doença prospera em áreas com acúmulo de palhada e ausência de rotação de culturas. O manejo eficiente inclui a eliminação de restos culturais, o uso de fungicidas triazóis e estrobilurinas e a escolha de materiais mais tolerantes.

Mancha de Bipolaris

Mais comum em ambientes úmidos, a mancha de Bipolaris maydis provoca lesões marrons, alongadas e com bordas difusas, comprometendo o desempenho da lavoura ao reduzir a área de fotossíntese.

A prevenção envolve a rotação de culturas, a eliminação de inóculo e o uso de híbridos resistentes. Em áreas com histórico da doença, o monitoramento deve começar logo após a emergência.

Helmintosporiose

A helmintosporiose, causada por Exserohilum turcicum, também é conhecida como mancha de turcicum. Ela gera lesões alongadas de cor cinza ou marrom, que surgem nas folhas mais velhas e, em infestações severas, causam a queima total do tecido foliar.

O risco aumenta em regiões com temperaturas entre 18 °C e 27 °C e alta umidade. O manejo deve ser preventivo: rotação de culturas, eliminação de palhada e aplicação de fungicidas nos primeiros sintomas.

Enfezamento pálido

Diferente das doenças fúngicas, o enfezamento pálido é causado pelo espiroplasma Spiroplasma kunkelii e transmitido pela cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis). Os sintomas incluem clorose nas folhas, plantas com porte reduzido e espigas mal formadas.

A prevenção depende do controle da cigarrinha: tratamento de sementes, aplicações de inseticidas e monitoramento constante no início do ciclo.

Enfezamento vermelho

Causado por fitoplasmas e também transmitido pela cigarrinha-do-milho, o enfezamento vermelho provoca avermelhamento nas folhas, espigas com grãos mal formados e secamento precoce da planta. O problema se agrava em áreas com “ponte verde” e sucessão de culturas sem rotação adequada.

Para o controle, o agricultor deve investir em híbridos tolerantes, tratamento de sementes e controle eficaz da cigarrinha nas fases iniciais.

Quer se aprofundar nesse assunto? Confira nosso conteúdo completo sobre as doenças no milho safrinha.

Como combater as doenças do milho safrinha?

Quando a gente fala em doenças no milho safrinha, o segredo está no conjunto de ações bem planejadas, desde a escolha da semente até o monitoramento da lavoura. Não é só aplicar fungicida e pronto. É preciso pensar no todo e agir com estratégia.

Veja os pontos que não podem faltar no seu manejo:

  • Escolha bem o híbrido: prefira materiais tolerantes às principais doenças da safrinha;
  • Plante na hora certa: respeitar a janela reduz o risco de estresse e pressão de doenças;
  • Rotacione culturas e limpe os restos: isso quebra o ciclo de pragas e fungos;
  • Monitore desde cedo: fique atento a manchas, pústulas e qualquer sintoma nas folhas;
  • Aplique fungicidas com critério técnico: sistêmicos como triazóis e estrobilurinas são eficazes, mas exigem uso correto;
  • Controle a cigarrinha: ela é a principal transmissora dos enfezamentos e precisa ser combatida desde o início.

Quais são as principais pragas do milho safrinha?

Além das doenças, o milho safrinha também enfrenta pressão constante de pragas, que causam danos diretos às plantas ou agem como vetores de doenças, como é o caso da cigarrinha-do-milho. 

Por isso, é indispensável manter um programa de monitoramento e controle bem estruturado desde a emergência da cultura.

Conheça as pragas mais comuns na segunda safra do milho:

  • Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda): ataca desde o início da cultura, raspando as folhas e danificando o cartucho. Se não controlada, pode comprometer seriamente o desenvolvimento da planta.
  • Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis): além do dano direto por sucção, é a principal transmissora dos enfezamentos pálido e vermelho;
  • Percevejo-barriga-verde (Dichelops spp.): atua nas fases iniciais, sugando a base das plantas e podendo causar “morte de ponteiro” e falhas na lavoura;
  • Larvas de solo (corós e larvas-alfinete): comprometem a emergência ao atacar sementes e raízes ainda no início do ciclo;
  • Pulgões (Rhopalosiphum maidis): afetam a fotossíntese e podem transmitir viroses.

O controle dessas pragas deve ser preventivo e baseado no MIP (Manejo Integrado de Pragas), com:

  • Uso de sementes tratadas com inseticidas;
  • Monitoramento com armadilhas ou vistorias semanais;
  • Aplicações de inseticidas seletivos e indicados conforme o estágio da cultura e pressão de pragas.

A recomendação técnica é obrigatória para a eficácia e a segurança nas aplicações.

Colheita do milho safrinha: quando acontece?

Depois de tanto cuidado com o plantio, manejo e sanidade, chega o momento mais esperado: a colheita do milho safrinha. Mas, afinal, quando é a hora certa de entrar com as colheitadeiras?

A colheita do milho safrinha varia bastante conforme o estado e a data do plantio, mas, em geral, acontece entre os meses de junho e setembro, com pico entre junho e agosto. Quanto mais cedo o milho for semeado dentro da janela ideal, mais cedo será a colheita e menores os riscos climáticos.

Mas atenção: não se deve antecipar demais esse processo. Colher milho com alta umidade pode comprometer tanto a qualidade dos grãos quanto o custo de secagem e o armazenamento.

Como saber que o milho safrinha está pronto para colheita?

O primeiro ponto a observar é a umidade do grão. O ideal é que ela esteja entre 18% e 20% para garantir boa conservação. Para avaliar isso no campo, um dos métodos mais confiáveis é acompanhar a linha do leite — uma divisão visível no grão entre a parte sólida (acima) e a pastosa (abaixo).

À medida que o milho amadurece, essa linha desce em direção à base do grão. Quando ela atinge a extremidade inferior, significa que o milho atingiu a maturidade fisiológica, com o máximo de acúmulo de matéria seca. 

Outro sinal visual importante é o ponto preto na base do grão, que indica que ele está completamente formado.

Se você tiver acesso a equipamentos como micro-ondas para teste rápido ou o método de Koster, que seca amostras em poucos minutos, melhor ainda! Mas, na prática, muitos agricultores colhem espigas no campo, partem ao meio e avaliam o ponto da linha do leite manualmente.

Proteja sua lavoura de milho safrinha com a Alta Defensivos

Plantar milho safrinha é uma ótima forma de aumentar a rentabilidade da fazenda. Mas, como você bem sabe, não basta jogar semente na terra. Doenças, pragas e instabilidades climáticas são desafios que exigem atenção constante e manejo eficiente.

É por isso que a Alta Defensivos oferece um portfólio completo para proteger a sua lavoura do começo ao fim: fungicidas, inseticidas, herbicidas e acaricidas, todos com formulações modernas, alta performance e o respaldo técnico que você precisa para aplicar com segurança e no momento certo.

Lembre-se: defensivo agrícola não é tudo igual. A escolha precisa considerar o alvo, o momento da aplicação e as características da sua lavoura. Por isso, conte com a orientação de um técnico e conheça as soluções indicadas para o milho safrinha no site da Alta.

Acesse os produtos da Alta para a cultura do milho e plante com mais confiança.

Perguntas frequentes sobre milho safrinha

Antes de encerrar, vale reforçar alguns pontos que sempre geram dúvida entre os produtores. Confira as respostas para as perguntas mais comuns sobre o milho safrinha:

Qual a diferença entre milho safra e milho safrinha?

A diferença principal está no momento do plantio. O milho da primeira safra é semeado no início da primavera, aproveitando o período chuvoso do verão. 

Já o milho safrinha, também chamado de milho segunda safra, entra em campo logo após a colheita da cultura de verão (geralmente a soja) e enfrenta maior risco climático, como estiagens ou geadas tardias. 

Por isso, o planejamento da janela de plantio de milho safrinha é essencial para ter bons resultados.

Qual a janela ideal de plantio da safrinha do milho?

A janela de plantio do milho safrinha varia conforme a região:

  • Norte: de janeiro a abril, com variações locais como abril e maio em Roraima;
  • Nordeste: de fevereiro a maio, podendo se estender até junho em alguns estados;
  • Centro-Oeste: de janeiro a março;
  • Sudeste: de janeiro a abril;
  • Sul: de janeiro a abril, especialmente no Paraná.

Como escolher a semente de milho safrinha correta?

Para selecionar a semente de milho safrinha certa, é importante buscar híbridos adaptados à sua região, de ciclo precoce ou superprecoce, com boa tolerância a doenças e eficiência no uso da água

Avalie também o histórico da área, o tempo disponível para o ciclo e conte com a recomendação de um técnico ou agrônomo para acertar na escolha.

Quais são as principais pragas e doenças do milho safrinha?

As principais doenças do milho safrinha são: 

  • Mancha branca;
  • Helmintosporiose;
  • Mancha de Bipolaris;
  • Cercosporiose;
  • Ferrugem branca;
  • Ferrugem polisora;
  • Enfezamento pálido e vermelho.

Quer conhecer essas doenças em detalhes? Clique aqui e leia nosso conteúdo completo.

Quanto às pragas mais comuns na segunda safra do milho, estão:

  • Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda);
  • Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis);
  • Percevejo-barriga-verde (Dichelops spp.);
  • Larvas de solo (corós e larvas-alfinete);
  • Pulgões (Rhopalosiphum maidis).

Posso plantar milho safrinha se a soja atrasou? Quais os riscos?

Pode, mas com muito cuidado. O grande risco é sair da janela ideal, o que expõe o milho a estiagens, baixa umidade no solo e geadas no final do ciclo

Para reduzir os impactos, o produtor deve acelerar as operações de preparo, ajustar o maquinário e escolher híbridos de ciclo mais curto e resistentes. Ainda assim, a produtividade pode ser afetada, por isso, antecipar o planejamento é sempre a melhor escolha.

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